O cabeça de lista da CDU às eleições europeias defendeu, este sábado, que Portugal deve preparar-se para abandonar o Euro e advertiu que a «saída limpa» do programa da troika significou na Irlanda cortes permanentes nos salários.

«A única saída é mesmo a luta», defendeu João Ferreira, que intervinha numa sessão de apoio à candidatura da CDU às eleições europeias de 25 de maio, que decorreu no Pavilhão da Siderurgia Nacional, Seixal.

João Ferreira advertiu que a chamada «saída limpa» ou «à irlandesa» do programa de ajustamento financeiro, significou na Irlanda «uma redução brutal e permanente dos salários» e o aumento da emigração, de muitos irlandeses «forçados a abandonar o país».

No seu discurso, o eurodeputado considerou que «a vida deu razão» a quem alertou para as consequências da adesão à moeda única, afirmando que «o país tem hoje menos riqueza» do que quando o Euro entrou em circulação.

«A dependência do país disparou. Os salários não apenas não convergiram mas pelo contrário divergiram da média dos países da União Europeia», afirmou, acrescentando que «ao longo de uma década de euro os salários reais diminuíram um por cento enquanto os lucros cresceram 35 por cento».

«Por isso dizemos, o país deve-se preparar-se para a saída do euro», defendeu.

Na sessão, o secretário-geral da CGTP Arménio Carlos disse assumir que «toma partido» nas eleições europeias para «desenvolver e acentuar o projeto de que Portugal precisa», para «dar resposta aos desempregados, aos trabalhadores aos reformados e pensionistas».

Um conjunto de 1938 postais de «apoio à candidatura» da CDU foi entregue no início da sessão por delegados sindicais e membros de comissões de trabalhadores.