A cabeça de lista por Lisboa da coligação Agir, Joana Amaral Dias, anunciou este domingo, durante um protesto em frente à casa de Ricardo Salgado, que vai propor no parlamento o referendo revogatório, para permitir a demissão de “políticos corruptos”.

“Nós temos de garantir que políticos corruptos, políticos que não fazem uma gestão correta, rigorosa e séria da coisa pública, possam ser demitidos”, afirmou a candidata aos jornalistas à porta da casa do ex-presidente do BES, atualmente em prisão domiciliária em Cascais, Lisboa.
 

“Uma das primeiras medidas que o Agir vai propor na Assembleia da República é o referendo revogatório, é a possibilidade do povo demitir, correr com todos esses políticos que não protegem os nossos interesses, que não protegem os interesses da maioria”, declarou Joana Amaral Dias.


Cerca de três dezenas de apoiantes do Agir (PTP-MAS) participaram na iniciativa com tambores e faixas onde se lia “paguem aos lesados do BES”, “confiscado”, “confisquem o Espírito Santo”, “Ricardo Salgado que pague o défice”. Os dois últimos cartazes foram inclusivamente colados no muro da casa do banqueiro.

Com bandeiras da coligação Agir e de um dos partidos que a compõe, o Movimento Alternativa Socialista (MAS), os participantes cantavam e gritavam palavras de ordem como “ladrão”, “quem deve aqui dinheiro é o banqueiro”, “Salgado ladrão, o teu lugar é na prisão” ou “Salgado dá ao povo o dinheiro roubado”.

“Se há dinheiro para Ricardo Salgado, se houve dinheiro para o BES, tem de haver dinheiro para os lesados do BES”, vincou Joana Amaral Dias, acrescentando que, para a coligação Agir, a solução para os lesados do BES passa pelo arresto de bens dos banqueiros envolvidos e um consequente “seguimento do rasto do dinheiro”, nomeadamente nos ‘offshores’.

“O objetivo é mostrar que, se há dinheiro para a banca e se há dinheiro para o sistema financeiro, nós não podemos mais aceitar essa desculpa, essa justificação chamada desculpa de mau pagador, que depois não há dinheiro para honrar pensões e salários, não há dinheiro para honrar um sem número de compromissos que o Estado português também tinha e também tem”, salientou a dirigente.

Para a candidata, o “sistema financeiro fez uma gestão danosa, corrupta e errada”, tendo deixado um “enorme buraco nas contas públicas portuguesas”.

Na opinião de Joana Amaral Dias, a “austeridade não deu para controlar a dívida e o défice”, que continua “descontrolado”, mas sim para transferir dívida privada para dívida pública.

“Não podemos consentir mais esta política de dois pesos e duas medidas que só serviu (…), não para controlar o défice e a dívida, mas sim para dar com o chicote no lombo dos portugueses”, considerou.


Além dos dois agentes da PSP que estão em permanência a vigiar a casa de Ricardo Salgado, estiveram presentes no local mais quatro agentes de segurança.