O líder comunista, Jerónimo de Sousa, acusou esta quinta-feira o Governo da maioria PSD/CDS-PP de aplicar uma «pena perpétua» de cortes aos reformados e pensionistas e de fazer «uma das maiores mistificações» relativamente às pensões mínimas.

«Aquilo que o Governo afirmava sistematicamente, de que eram meras medidas temporárias, hoje significa aplicar pena perpétua a esses cortes», declarou o deputado do PCP, após encontro na sede do partido com o presidente do Movimento Unitário de Reformados Pensionistas e Idosos (MURPI), Casimiro Menezes.

O ministro do Emprego e da Segurança Social, Mota Soares, admitira aumentar as pensões mínimas em caso de acordo entre partidos e parceiros sociais, referindo-se às retribuições entre 270 e 400 euros.

«Uma das maiores mistificações deste Governo é dizer que não tocou nas reformas e pensões mais baixas. Congelou-as. Sejamos claros, com o aumento do custo de vida - rendas, eletricidade, transportes, custos com a Saúde -, para quem não viu a sua reforma valorizada, há um empobrecimento e uma desvalorização dessa reforma congelada. Dizer que estão intocáveis, não é verdade», continuou Jerónimo de Sousa.

Mota Soares confirmara também que o executivo vai manter a suspensão das reformas antecipadas pelo menos até ao final de 2014 e não apenas durante o atual programa de assistência económico-financeira.

«Os reformados, pensionistas e aposentados, que estão a ser vítimas da política deste governo estão na disponibilidade de levar a luta com mais força, tentando demonstrar à sociedade que não somos uma camada social que resiste passivamente à agressão permanente deste Governo», prometeu, por seu turno, Casimiro Menezes, referindo-se ao protesto nacional agendado para 12 de abril.

O secretário-geral comunista congratulou-se com a postura do MURPI, perspetivando que «pode ter um grande significado na denúncia, no combate e na demonstração de que os reformados e pensionistas não aceitam que sejam tratados como uma força inerte».

«Estão a tratar das duas vidas, das suas reformas, dos seus direitos. São pessoas de corpo inteiro e não trapos como o Governo pensa», elogiou.