O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, reafirmou hoje que o Governo deve rejeitar “de forma firme” as ameaças de sanções da União Europeia ao país por défice excessivo.

Perante a ameaça de sanções e de extorsão a Portugal, só há uma solução: a rejeição pelo governo português de forma firme e decidida de qualquer imposição que nos venham a colocar”, disse o líder comunista, na Lousã.

Jerónimo de Sousa intervinha num jantar comemorativo do 70º aniversário do IV Congresso (II Congresso Ilegal) do PCP, realizado em julho de 1946, no auge da ditadura de Salazar, no lugar da Sarnadinha, naquele concelho do distrito de Coimbra.

No congresso, que decorreu durante uma semana, numa casa que pertencia na época a uma família emigrada nos Estados Unidos, destacou-se a participação de Álvaro Cunhal, que viria a ser o líder histórico do partido e que visitou a habitação, em 1991, para assinalar o 45º aniversário daquele encontro.

Os mais recentes desenvolvimentos da União Europeia, as ameaças de sanções, as campanhas de intriga, as pressões, as tentativas de imposição de uma política orientada para servir o grande capital monopolista nacional e transnacional, mostram bem as práticas de abusiva e inaceitável ingerência nos assuntos do nosso país e sobre as decisões das suas legítimas instituições que atinge particularmente a dignidade e os interesses dos portugueses”, afirmou o líder do PCP.

Na sua opinião, “é urgente e necessário Portugal estar preparado para se libertar da submissão ao euro”, quando se evidencia “de forma incontornável” que a UE “não responde às necessidades dos trabalhadores e dos povos” europeus.

“É hora de dizer basta à submissão”, acrescentou, num restaurante a menos de um quilómetro da casa onde há 70 anos se realizou o histórico congresso, situada defronte do campo de futebol do Clube Desportivo Lousanense.

Para Jerónimo de Sousa, importa “assegurar o controlo público da banca, alargando progressivamente a propriedade e a gestão públicas, reorientando a sua atividade para o financiamento produtivo em vez de especulativo, apoiando criteriosamente as pequenas e médias empresas e as famílias”.

Portugal também necessita de, “com urgência, renegociar a dívida pública, nos seus prazos, juros e montantes, que reduza substancialmente o volume de encargos anuais e liberte fundos para o investimento e estanque a sangria de recursos para o estrangeiro”, sublinhou.

O país, na sua opinião, precisa ainda “de uma política que promova o investimento e recupere os atrasos verificados nestes últimos anos”, o que, disse, implica “enfrentar a União Europeia, que condiciona a nossa capacidade de produzir, a nossa liberdade de distribuir a riqueza criada, a nossa capacidade e a nossa liberdade de escolhermos” o caminho a seguir.

A importante vitória alcançada em outubro, com a luta e voto dos portugueses” – que levou pela primeira vez à formação de um Governo, liderado pelo socialista António Costa, com apoio de toda a esquerda parlamentar (PS, BE, PCP e Verdes) – “pode e deve ser potenciada (…) para dar resposta e solução aos graves problemas” do país, defendeu Jerónimo de Sousa.