Com o som da trovoada como fundo,  secretário-geral do PCP comparou, este sábado, o  país económico com o mau tempo: depois de «três anos trágicos», depois da tempestade, não vem a bonança, mas mais «cerca de sete mil milhões de euros de cortes».

A situação de Portugal «está como o tempo, ameaçadora». É certo que, «depois da trovoada, depois do mau tempo» virá «o bom tempo», mas os portugueses não devem esperar «só pela natureza», disse Jerónimo de Sousa, que discursava em Santiago do Escoural, Montemor-o-Novo.

E, continuou, é preciso que os portugueses sejam «também construtores desse futuro que, um dia», irá «prevalecer em Portugal, com progresso, democracia, justiça social, reforma agrária, direitos do povo».

«Acreditamos que isso é possível. Com a ajuda da natureza, sem dúvida, mas com a nossa luta», sublinhou, já no final da intervenção e numa alusão ao mau tempo, com chuva e trovoadas, que se faz sentir hoje pelo país, sem que Escoural seja exceção.

O secretário-geral do PCP deslocou-se hoje àquela povoação do concelho alentejano de Montemor-o-Novo para participar numa romagem, seguida de comício, para evocar «os 35 anos do assassinato de Caravela e Casquinha e do ataque à Reforma Agrária».

A cerimónia no cemitério, de homenagem aos dois trabalhadores rurais mortos pela GNR numa herdade local, nos ‘tempos’ da Reforma Agrária, ainda foi com tempo seco, mas o discurso, já no centro de Escoural, decorreu debaixo de chuva, adianta a Lusa.

Lembrando as conquistas do 25 de Abril, Jerónimo de Sousa realçou que Caravela e Casquinha foram «o exemplo da ferocidade da repressão desencadeada contra a Reforma Agrária”, que “acabou por ser destruída».

Mas esta destruição, afiançou, «não pôs fim ao sonho, nem à necessidade e atualidade de, nas atuais circunstâncias, se concretizar uma Reforma Agrária» em Portugal.

O país vive hoje «tempos muito difíceis» e os últimos três anos foram marcados pela «contínua degradação económica e social» e pelo «empobrecimento do povo», criticou.

«Três anos trágicos que querem prolongar, ampliando o sofrimento de milhões de portugueses, agora com um novo pretexto, o do cumprimento do Tratado Orçamental que, mais uma vez, uniu os três do costume, PS, PSD e CDS».

Os partidos do arco governativo, alertou o líder do PCP, preparam-se para, «nos próximos cinco anos», avançarem com «mais cerca de sete mil milhões de euros de cortes». «Interromper este rumo de destruição e de contínuo empobrecimento é um imperativo nacional e isso exige continuar a luta», incentivou.