O líder comunista acusou esta sexta-feira PSD/CDS-PP de instrumentalização de professores na polémica com os contratos de associação entre colégios privados e Estado, enquanto o primeiro-ministro previu reaproveitar docentes para ensino artístico, pré-escolar ou de adultos.

Na discussão parlamentar quinzenal, Jerónimo de Sousa afirmou que o PCP acompanha o Governo socialista "no essencial" dos "critérios e opções", relativamente à escola pública e seu "caráter de universal e gratuita", considerando que "o debate foi clarificador".

Tendo em conta a dramatização e posições por parte de PSD e CDS, numa cruzada, invocando até direitos de professores e outros funcionários do ensino particular e cooperativo, há algum registo [de tomada de posição daqueles partidos] sobre despedimentos, o aumento brutal da carga horária? A resposta é uma: não. O Governo PSD/CDS abandonou os professores. Hoje procura instrumentalizá-los", acusou, acrescentando que aquela classe profissional foi "profundamente fustigada pela política de direita".

António Costa destacou que, "nos últimos quatro anos, foram destruídos 28 mil lugares de professores na escola pública", embora também em virtude dos "efeitos demográficos", sendo que "é difícil imaginar" que tais efeitos "não se reflitam também noutros setores do sistema educativo".

Não podemos ver os contratos de associação como sucedâneo do subsídio de desemprego. Não diabolizamos estes colégios e muito menos quem lá trabalha", afirmou, adiantando que na execução do Programa de Governo e do Plano Nacional de Reformas "há outras áreas" em que estes contratos podem vir a ser acionados, nomeadamente a generalização do ensino pré-escolar até aos 3 anos, assim como o ensino artístico, ensino de adultos e ao longo da vida.

Jerónimo de Sousa questionou ainda o chefe do Governo com outro exemplo das suas "preocupações com a soberania nacional e a necessidade de aumento da produção nacional", além dos setores da produção leiteira e da suinicultura - o das carroçarias.

O secretário-geral do PCP, a propósito do próximo concurso para aquisição de 500 novos autocarros para Carris e STCP, não se se promovem as empresas nacionais de carroçarias, adiantando que nos últimos anos "foram importados 1.000 autocarros usados, 75% dos quais não obedecem a normas europeias antipoluição".

"A compra pública é fundamental para dinamizar a economia nacional. Temos de fazer tudo pelas regras, de forma não discriminatória, nas também não de forma ingénua", defendeu Costa, mostrando-se contra "especificações técnicas de concursos que excluem autocarros produzidos em Portugal.