O secretário-geral comunista reafirmou hoje que "nada impede o PS de formar Governo e entrar em funções", independentemente do desfecho das conversações com diversas forças políticas, nomeadamente a Coligação Democrática Unitária, que junta PCP e "Verdes".

Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas, sem espaço para questões, após reunião na residência oficial do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de preparação do próximo Conselho Europeu, na quinta e sexta-feira, em Bruxelas.
 

"Seja qual for o desfecho, uma coisa é certa: nada impede o PS de formar Governo e entrar em funções", disse o líder comunista, depois de já ter admitido que "os pontos de partida são muito distintos", mas que pela parte do PCP continua o compromisso de "prosseguir seriamente a verificação em concreto dos conteúdos políticos" considerados "essenciais".


Segundo Jerónimo de Sousa, "a derrota do PSD/CDS, com a perda da maioria absoluta, deverá ter consequências no plano político e no plano institucional".
 

"O PCP deixou sempre claro que iria intervir neste processo visando derrotar qualquer pretensão que passe pela formação de um Governo PSD/CDS e não prescindir de lutar por uma política que responda de facto aos direitos dos trabalhadores e do povo", afirmou.


Sobre a reunião dos líderes europeus, o secretário-geral do PCP criticou a "lógica securitária e de militarização" defendida pelos principais dirigentes de Bruxelas, bem como a canalização de "mais recursos para subir ainda mais os muros da Europa-fortaleza", alertando para o seu "caráter federalista e o controlo mais apertado sobre os cidadãos em geral".

Hoje mesmo, a Comissão Europeia indicou que Portugal deverá receber os primeiros refugiados, provenientes de Itália, na próxima semana, na sequência do compromisso assumido pelos 28 Estados-membros a 23 de setembro.