«O perigo da guerra, a exploração e o empobrecimento dos povos estão cada vez mais visíveis. Mesmo no plano da hipocrisia política, os que festejaram a queda do muro de Berlim são os mesmos que, hoje, esquecem e até ficam satisfeitos com a existência de outros muros - políticos, ideológicos, religiosos, sociais, mesmo físicos, por exemplo, aquele que aprisiona o povo palestiniano, erguido por Israel, que o impede do direito a ter um futuro. Passados 25 anos, como está o mundo? Nós avaliamos: está pior, mais injusto, mais perigoso», enunciou.


«campanha anticomunista de intoxicação da opinião pública

Segundo Jerónimo de Sousa, «o PCP, durante aquele processo que levou às derrotas do socialismo, fez uma análise objetiva» e, «independentemente de como surgiu aquele muro, como foi feita a partilha da Alemanha - por vontade de Estados Unidos, França e Inglaterra» -, e da «verificação de processos que se demonstraram ser errados», há uma questão «de fundo».








PCP recusa «juntar trapinhos» a Costa



«Esses movimentos, essas pessoas, mais que fazerem um caminho para o Governo, estão a fazer um caminho para o PS. Quem assistiu ao congresso do LIVRE, verificou, claramente, que foi um palco que serviu - ponto alto e conclusão - António Costa, que abençoou esse caminho que o LIVRE pretende fazer. Há um conjunto de siglas, de pessoas com projetos pessoais - que são de há muitos anos, alguns deles -, criando a ideia de uma plataforma de esquerda para juntar as águas para que o afluente vá ter ao PS», condenou o secretário-geral comunista.


«Não há aqui pequenos arranjos, pequenas benfeitorias, mantendo no essencial as linhas estruturantes da política. Nós propomos ao povo português uma política patriótica e de esquerda que pressupõe ruturas com este caminho para o desastre e um Governo capaz de a concretizar», afirmou.

Para o líder comunista, «há quem pense "vamo-nos deixar disso, juntemos os trapinhos com o PS, sempre iriamos para o Governo", mas para fazer uma política idêntica àquela que está a ser realizada».














Sem ser «eterno», Jerónimo de Sousa quer ficar para lá de 2016



«Ao contrário de outros partidos, o secretário-geral não é um órgão. É eleito pelo comité central e a questão da continuação ou substituição não está condicionada ao próprio congresso, que se vai realizar, em princípio, daqui a dois anos», vincou, revelando «o sentimento» por parte de «camaradas e direção» de «continuar a desenvolver as tarefas até ao próximo congresso».


«É uma decisão nossa. Sem saúde não se faz nada. Em termos de capacidade, física e anímica, de convicção em torno do nosso ideal, não me sinto diminuído. É evidente que não serei eterno, mas aquilo que acolho, de contacto com o partido e com o povo português - muitos não sendo militantes comunistas, amigos do partido ou até mesmo fora desse universo - é que o incentivo é para continuar», afirmou.






«Mais do que a demissão de um ministro, consideramos fundamental a exigência de demissão deste Governo. Não há resolução com a substituição de ministros à peça. Se não fosse o Presidente da República, que procura segurar por arames este Governo, já teriam sido convocadas eleições antecipadas. É um sentimento que o povo português, hoje, claramente, sente, que o Governo está esgotado, está morto, não tem futuro», criticou, comentando a recente demissão do responsável pela Administração Interna, Miguel Macedo, após a polémica com os vistos gold.