O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse esta que as aparências iludem no que à redução do desemprego em Portugal diz respeito, lembrando que por dia saem do país 250 cidadãos para a emigração.

«Não apresentem isso como um trunfo e um triunfo, antes pelo contrário: é resultado da situação social, é resultado da emigração, é resultado de muitos trabalhadores perderem a esperança, tendo em conta a sua idade, a dificuldade em encontrar emprego, e já nem sequer o subsídio de desemprego recebem», declarou o comunista.

Jerónimo falava aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, no final de um encontro com uma delegação da central sindical CGTP, e comentava os dados desta manhã do Eurostat, que revela que a taxa de desemprego em Portugal voltou a recuar em maio, para 14,3%, contra 14,6% em abril, menos 2,6 pontos percentuais do que um ano antes (16,9%), a segunda maior descida homóloga da União Europeia (UE).

«As aparências às vezes iludem», realçou Jerónimo de Sousa, para quem «a manter-se esta saída de 250 portugueses por dia para a emigração» o Governo até pode «apresentar baixas sucessivas do desemprego».

«Quantos milhares de trabalhadores perderam o direito ao subsídio de desemprego e ficaram desanimados, desencorajados, numa situação dramática?», interrogou o líder do PCP.

Jerónimo alertou ainda para as consequências da emigração de «tanta gente nova, novas gerações, gente que faz falta ao país».

Tanta emigração, advoga, «tem consequências já no grau de natalidade existente» em Portugal e «este défice demográfico vai ter consequências tremendas no futuro» do país.

De acordo com os dados hoje avançados pelo gabinete oficial de estatísticas da UE, o desemprego tem estado assim a recuar de forma ininterrupta em Portugal no corrente ano, ainda que com ligeiras descidas, pois era de 15% em janeiro, 14,9% em fevereiro, 14,8% em março e 14,6% em abril.

Ainda assim, a taxa de desemprego em Portugal mantém-se como a quinta mais elevada da União, atrás de Grécia (26,8%, valor de março), Espanha (25,1%), Croácia (16,3%) e Chipre (15,3%), e muito acima da média quer da UE (10,3%), quer da zona euro (11,6%), que se mantiveram praticamente inalteradas (desceu 0,1% na União e estabilizou no espaço monetário único).

Já em termos homólogos, ou seja, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, Portugal registou, pelo segundo mês consecutivo, a segunda maior queda entre os 28 Estados-membros, apenas atrás da Hungria e à frente da Irlanda, com um recuo (-2,6%) bem mais pronunciado do que na média da UE (caiu de 10,9% em maio de 2013 para 10,3% em maio deste ano) e da zona euro (recuo de 12% para 11,6% no espaço de um ano).