O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, garantiu esta quinta-feira que não vai desistir na luta pela descida do IVA na fatura da eletricidade para os consumidores.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à feira agrícola AgroSemana, na Póvoa de Varzim, o líder comunista lembrou que o seu partido "há muito tempo defende essa posição", considerando que "o próximo Orçamento de Estado seria uma boa altura para colocar a proposta em prática".

Não vamos desistir, o processo de negociação do Orçamento de Estado tem de ser encarado no seu conjunto, mas há matérias em que vamos estar diretamente empenhados para que se concretize", apontou Jerónimo de Sousa, referindo-se a esta questão.

O secretário-geral do PCP disse ainda esperar que o executivo liderado por António Costa esteja também sensível à questão.

Ao exemplo de outras matérias, em que parecia que o Governo do PS não queria dar o passo, a nossa intervenção e persistência acabou por levar a que muitas propostas fossem aceites", recordou.

Jerónimo de Sousa comentou ainda os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística sobre o desemprego em Portugal, que se mantêm nos 6,8 %, o valor mais baixo desde 2002, lembrando, ainda assim, que é preciso verificar "a qualidade do emprego".

Hoje, os níveis de precariedades, não só na administração publica, mas, sobretudo, no setor privado, levam a uma desvalorização dos salários e dos direitos dos trabalhadores que tem de ser invertidos. Essa é uma batalha que ainda falta resolver", considerou o líder do PCP.

"Política patriótica”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu também uma "política patriótica" para o setor do leite português, considerando que o mesmo deve ser "mais protegido".

É um imperativo nacional e estratégico, por onde também passa o patriotismo na defesa do que somos bons e das nossas potencialidades, mas que colide com os interesses das grandes distribuidoras e das orientações políticas da União Europeia", disse o líder comunista.

Tecendo elogios à capacidade produtiva do setor leiteiro, Jerónimo de Sousa sublinhou que “é um setor autossuficiente, que é um bem maior num quadro de tantos défices estruturais” que existem em Portugal.

Seria dramático que tivesse uma situação de retrocesso e até de liquidação de milhares de produtores", alertou o secretário-geral do PCP.

Nesse sentido, Jerónimo de Sousa considerou que Portugal "deve produzir mais e defender as potencialidades que já existem em termos produtivos", não permitindo que o setor do leite "possa estar a morrer aos poucos".

É conhecido o justo descontentamento dos produtores pelo preço a que vendem o leite. Consideramos que é importante uma intervenção das instituições como o Governo, Assembleia da República e Parlamento Europeu, que respondam a questões centrais, como a regulação da produção nacional", instou Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP considerou que é preciso ter "solidariedade" e "responder aos anseios dos produtores", lembrando que "há uns anos eram mais 90 mil e agora são cerca de seis mil".