O secretário-geral comunista dramatizou a "travagem" do Governo e "convergência com PSD e CDS para garantir o essencial da política de direita", no seu discurso de abertura das jornadas parlamentares do PCP, no litoral alentejano.

Para Jerónimo de Sousa diversas soluções para os problemas do país esbarram com "a falta de vontade política do Governo minoritário do PS, que permanece acorrentado nas suas opções e orientações de fundo às teses essenciais da política de direita, mas também quando se avolumam sinais e práticas que indiciam uma travagem, se não uma inversão de rumo".

"A crescente procura do PS e do seu Governo de convergência com PSD e CDS para garantir o essencial da política de direita em matérias e áreas nucleares da ação governativa, nomeadamente em matéria de legislação do trabalho, são uma expressão dessa crescente preocupação", acrescentou Jerónimo de Sousa.

Na abertura das jornadas, em Alcácer do Sal, e ao contrário do que é habitual, falou ainda o eurodeputado comunista João Ferreira, que também criticou o alinhamento de PS, PSD e CDS-PP, mas na Europa, a cerca de um ano das próximas eleições para o Parlamento Europeu.

Na sua intervenção, o líder comunista voltou a focar a completa divergência da maioria parlamentar em termos de legislação laboral e recordou que o PCP, além das iniciativas que já tomou, vai apresentar mais seis projetos de lei no parlamento no dia da discussão da proposta de lei do Governo resultante do acordo de concertação social.

O acordo de concertação social foi obtido em 30 de maio, com as confederações patronais CIP, CCP, CAP e CTP e a central sindical UGT, tendo a CGTP ficado de fora.

"Temos afirmado que o PS e o seu Governo não seguem num bom caminho quando, juntos com PSD e CDS, agem para manter intocáveis os interesses do grande capital neste e noutras matérias. O recente acordo de concertação social com os protagonistas do costume e explícito apoio do PSD confirma-o", insistiu Jerónimo de Sousa.

O secretário-geral do PCP lamentou ainda o "défice da balança alimentar, que atingiu em 2017 cerca de quatro mil milhões de euros", reiterando a necessidade de maior investimento na produção nacional, bem como nas infraestruturas, transportes e outros serviços públicos, nomeadamente a saúde, onde denunciou a transferência prevista de 3.700 milhões de euros em 2018 do Estado para o setor privado.