O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje «pouco recomendável» a forma como estão a decorrer as eleições internas no PS, acusando os dois candidatos à liderança socialista de defenderem políticas de direita.

«De repente, agora, com dois candidatos à liderança, um espetáculo que se diga pouco recomendável, mas que nós não nos queremos meter, nós bem procuramos em descobrir as diferenças entre Costa e Seguro, mas no essencial aquilo que verificamos é que há diferenças de estilos e de modos», disse.

Para Jerónimo de Sousa, que falava durante um almoço convívio com militantes e simpatizantes do PCP, em Benavila, no concelho de Avis (Portalegre),os dois candidatos do PS «não defendem» o que considera ser «fundamental» para o país, nomeadamente uma «rutura» com a política de direita, a favor de uma «política patriótica e de esquerda».

«Nem Seguro, nem Costa defendem essa rutura e essa mudança necessária para o país», sublinhou.

O líder comunista acusou ainda PSD e CDS-PP de estarem «submetidos» às grandes potências, ao serviço do grande capital, defendendo que existe uma «política alternativa» para o país.

Líder do PCP acusa sistema financeiro e critica PR, Governo e PS

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou também que a situação no BES foi provocada pelo «sistema capitalista e financeiro», lamentando a atitude do Presidente da República, do Governo e do PS em redor desta matéria.

«Um Presidente da Republica calado, um PS mais ou menos ajeitado, um Governo a sacudir a água do capote, como se a culpa fosse apenas de um banqueiro ou de uma família. Não é não», disse.

«A culpa é do sistema capitalista, do sistema financeiro que em bom tempo ganham fortunas abissais, mas quando se trata das dificuldades pensam que o Estado é que tem que resolver», acrescentou.

Jerónimo de Sousa, que falava durante um almoço convívio com simpatizantes e militantes do PCP em Benavila, no concelho de Avis (Portalegre), considera que o povo é quem está a «pagar a fatura» da situação ocorrida no BES.

«O mesmo Governo que está a procurar novos aumentos de impostos, cortar mais salários, cortar nas pensões, em relação ao BES, a primeira coisa que fez, com a capa, com o biombo do Banco de Portugal, foi disponibilizar 4,4 mil milhões de euros para acudir àquele buraco, àquela situação de jogatana, de safismo dos seus acionistas e responsáveis», declarou.

«Enquanto existiram lucros, o Estado não se meteu, quando começou a haver buracos e prejuízos «Aqui d'El Rei», é preciso o Estado intervir com esses 4,4 mil milhões de euros», sublinhou.

Jerónimo de Sousa quer que a questão em redor do BES seja «esclarecida», lamentando que os portugueses sejam confrontados frequentemente com escândalos financeiros.

«Isto é vida para um país, isto é vida para um povo em cada mês que passa ser confrontado com um escândalo, com uma roubalheira, com o negocismo», questionou.