O secretário-geral do PCP considerou esta quarta-feira que, confirmando-se que Portugal não quis discutir o alívio da dívida Grega antes das eleições, isso demonstra que o Governo tinha medo do exemplo e do efeito que teria no nosso país.

"O governo do PSD e CDS, particularmente Passos Coelho, tinham medo da forma do exemplo, receavam o efeito que teria uma renegociação da dívida na Grécia quando para o seu país, tendo em conta hoje a dimensão da nossa divida que é das maiores do mundo em relação ao PIB, em que temos um serviço da dívida brutal, a questão da renegociação vai pôr-se, mais tarde ou mais cedo", afirmou Jerónimo de Sousa.


Jerónimo de Sousa falava a propósito de declarações do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que revelou numa entrevista ao diário belga Le Soir, hoje publicada, que Portugal se opôs a que um alívio da dívida pública grega fosse discutido antes das eleições legislativas.

Para o líder comunista, "a grande questão está em saber se se vai colocar por parte dos credores ou dos devedores" de Portugal.

"A questão da dívida está colocada na ordem do dia mas Passos Coelho prefere varrer o problema para baixo do tapete", acusou Jerónimo de Sousa, sublinhando que "a situação a ser desbloqueada na Grécia constituía uma demonstração de quanto é errado e quanto lesa o interesse nacional manter-se nesta posição de recusa dessa renegociação".


"Passos Coelho foi coerente porque aquilo que resistiu em relação à Grécia também faz o mesmo no seu país", continuou, de acordo com a Lusa.

O secretário-geral do PCP defendeu também que, apesar de dizerem que "os credores não querem" uma renegociação da dívida portuguesa, "a questão de fundo" é saber se Portugal quer tomar essa via.

"Mesmo como devedores tempos direitos, precisamos de facto de crescimento económico, de desenvolvimento do nosso aparelho produtivo, de criar mais riqueza, só assim -produzindo mais - é que devemos menos", vincou Jerónimo de Sousa.

Quanto às votações do último plenário da atual legislatura, Jerónimo de Sousa destacou, entre outras, a proposta de lei de enquadramento orçamental, que na sua opinião "pretende manter o país amarrado ao espartilho do tratado orçamental".

"Nos aspetos centrais, PSD, PS e CDS convergem nessa decisão de ‘amarramento' do país a essa decisão, que só tem uma leitura: a opção destes três partidos é perpetuar a política de exploração e empobrecimento, de submissão do país aos ditames do grande capital da União Europeia e do FMI", declarou o líder comunista.


Jerónimo reage às declarações de Juncker

Sobre a entrevista de Jean-Claude Juncker, o primeiro-ministro português considerou que "deve haver alguma confusão do presidente da Comissão Europeia" ao ter afirmado que Portugal se opôs a que um alívio da dívida pública grega fosse discutido antes das eleições legislativas.

"Deve haver alguma confusão do presidente da Comissão Europeia. De facto é verdade que a Irlanda, Espanha e Portugal solicitaram que a discussão sobre as condições a oferecer à Grécia para melhorar o seu perfil de dívida pudessem ocorrer após uma primeira avaliação completa e bem-sucedida, porque isso nos parece importante para criar condições de confiança entre todos, para que essa discussão tenha lugar", afirmou o primeiro-ministro.

Pedro Passos Coelho disse que o que estava previsto era que as negociações ocorressem no final de outubro.