O secretário-geral do PCP afirmou esta quinta-feira que foi o poder que juntou PSD e CDS-PP e a queda do Governo, consequentemente, apartou-os, prevendo que um eventual "cheiro a poder" pode dar nova coligação à direita.

"Nunca tivemos esse objetivo [dividir a direita]. O poder é que os uniu, a falta de poder é que os pode dividir. A verdade é que os dois partidos sofreram uma pesada derrota no dia 04 de outubro", disse Jerónimo de Sousa, à margem de uma visita ao Instituto de Apoio à Criança (IAC), em Lisboa.


O líder comunista fora questionado sobre declarações do presidente do PSD e ex-primeiro-ministro, Passos Coelho, no sentido de sociais-democratas e democratas-cristãos irem articular posições, mesmo sem uma coligação de oposição.

Passos Coelho frisou que o acordo entre PSD e CDS-PP terminou com a demissão do executivo e "não é preciso nenhum ato formal para lhe pôr termo", pois "acabou quando o Governo acabou".
 

"Sem poder, podem, cada um, seguir cada um o seu caminho, mas, com o cheiro a poder, unir-se-ão sempre que necessário", antecipou Jerónimo de Sousa.

 

Falta poder a PSD e CDS-PP e falta-lhes “vontade de estar juntos”


O líder parlamentar do PS disse achar positiva a "confissão" do líder do PSD de que a coligação com o CDS-PP acabou, declarando o socialista que faltando poder a ambos os partidos falta-lhes a "vontade de estar juntos".
 

"O PSD e o CDS reuniram-se no extremo político português para se coligarem em função de um interesse específico, exercer o poder. Falta-lhes o poder, falta-lhes a vontade de estar juntos", declarou Carlos César aos jornalistas no final da reunião desta manhã do grupo parlamentar do PS.

"Acho bem que ele tenha dito isso, até porque durante a tarde [de quarta-feira] eu tinha falado na coligação extinta. É sempre bom ver da parte dos próprios essa confissão", vincou.


Questionado sobre se tal poderia indiciar uma menor crispação da parte dos sociais-democratas para com o Governo do PS, Carlos César definiu como "importante" a posição de Passos Coelho junto dos parceiros europeus, mas concretizou: "Não sei é o que aconteceu primeiro, se não foi o PPE a pedir ao PSD português maior moderação e maior sentido de defesa do interesse nacional e europeu".