O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou hoje o PSD de protagonizar uma «encenação», um «jogo de biombos», ao criticar a «hipocrisia institucional» do Fundo Monetário Internacional (FMI).

«O FMI não é hipócrita nem deixa de ser, está determinado por orientações rígidas. Não é esta troika que aqui está que é relutante, que fala muito ou fala pouco», relativizou o líder comunista, numa ação de campanha autárquica em Portalegre.

O porta-voz do PSD, Marco António Costa, afirmara que o FMI faz «proclamações muito piedosas em relatórios», mas tem sido «inflexível» nas negociações, após aquela instituição ter declarado que os países devem ter «limites de velocidade» e evitar reduzir os défices orçamentais demasiado depressa, mesmo quando estão sob pressão dos investidores por terem uma dívida elevada.

«O problema é que as decisões já foram tomadas no exterior, em Bruxelas, na sede do FMI. A troika já procurou fazer um favor ao Governo que foi adiar as conclusões da oitava e nona avaliações para que os portugueses não conheçam antes de 29 de setembro a fatura que aí vem. Isto é tudo uma encenação, um jogo de biombos», criticou Jerónimo de Sousa.

Proposta do PS sobre défice é mero «paliativo»

Jerónimo de Sousa afirmou que a proposta do PS, de tentar uma flexibilização do défice de pelo menos cinco por cento do Produto Interno Bruto, seria um mero «paliativo».

«Como se mais meio por cento, em relação ao défice, pudesse resolver algum problema. É apenas um paliativo», desvalorizou o líder comunista, numa ação de campanha autárquica, em Portalegre.

O secretário-geral socialista, António José Seguro, tinha anunciado terça-feira que o seu partido propôs à troika a revisão da meta orçamental.

«O PS assinou, subscreveu e votou a favor desse tratado em que a nossa soberania, designadamente a orçamental, foi posta em causa. O PS aplaudiu, aprovou e aceitou e vem agora com uma proposta de mera circunstância que não resolve coisa nenhuma», reforçou Jerónimo de Sousa.