O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, criticou esta terça-feira, em Coimbra, o aumento do populismo no espaço europeu e defendeu que se tem de evitar que a Europa "se feche sobre si própria".

O presidente da Comissão Europeia lamentou que "até partidos tradicionais" se tenham transformado em partidos "populistas", quando questionado sobre o aumento do populismo na Europa, num debate em Coimbra.

No debate "Futuro da Europa - Que Europa queremos?", Jean-Claude Juncker afirmou que "gostaria que a Europa permaneça um continente aberto para os refugiados".

Apesar das lacunas, devemo-nos orgulhar da Europa", vincou Jean-Claude Juncker, que falava no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, num debate em que também participou o primeiro-ministro, António Costa, e o comissário europeu responsável pela Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.

"Construção corajosa"

O presidente da Comissão Europeia frisou que "a Europa é, em primeiro lugar, uma construção corajosa", que se apoia em valores como "democracia, direito, tolerância e abertura sobre o mundo e perante os outros".

Penso que é preciso colocarmo-nos numa situação de podermos barricar o populismo e o extremismo", defendeu.

Jean-Claude Juncker disse constatar que "os partidos tradicionais seguem cegamente o populismo, repetindo-lhes o propósito de eles também se tornarem populistas", mas considerou que "o eleitor vota no original e não na cópia do populismo".

A Europa não deve apagar-se e desaparecer. A Europa tem coisas a dizer ao mundo e quanto mais a Europa disser coisas nobres ao mundo, melhor ela se encontrará no seu seio", frisou.

Neste âmbito, pediu que sejam transpostas "as fraquezas e as barreiras" e que haja mais orgulho na Europa, que "soube fazer grandes coisas: a paz, o entendimento entre povos, o abandono das fronteiras, a moeda única, a abertura em relação aos outros".

Sejamos orgulhosos da Europa para evitar que não se feche sobre si mesma. Na Europa é preciso muita paciência e determinação. Sejamos mais pacientes e determinados", apelou.

Atentados à democracia

Durante o debate, Jean-Claude Juncker foi questionado sobre qual a solução para os atentados à democracia na Polónia e na Hungria, tendo respondido que a Comissão Europeia está "num diálogo sólido e virtuoso" com os respetivos governos.

Tomámos a iniciativa de abrir o procedimento de infração, porque esses dois governos não respeitam as regras europeias. Trata-se de um procedimento que está em curso e do qual não posso prejulgar o seu fim. Estamos verdadeiramente a meio do diálogo com esses dois governos", contou.

Jean-Claude Juncker frisou a importância que a Comissão Europeia atribui "ao respeito pelas regras do Direito", lembrando que "a União Europeia é uma comunidade de Direito baseada em regras e em normas jurídicas" que gostaria que todos os Estados-membros respeitassem.

O responsável disse não poder responder à pergunta "de forma conclusiva, porque os procedimentos estão em curso", mas garantiu que a Comissão Europeia não aceita "o desrespeito pelas regras do Direito".

Como não aceitamos o facto de quando um Estado-membro é condenado pelo Tribunal da Justiça" dizer que não vai respeitar as decisões, acrescentou.

Jean-Claude Juncker lembrou que há "um método comunitário: a Comissão propõe e o Conselho e o Parlamento Europeu decidem e o Tribunal de Justiça interpreta a regra fixada".