O Presidente da República antecipou, neste dia que cumpre dois anos de mandato, "grandes, grandes decisões que, mais dia, menos dia, virão aí, importantes, em termos portuários ou em termos de infraestruturas". Porém, não avançou mais elementos sobre esse assunto.

Marcelo Rebelo de Sousa falava na Sala de Jantar do Palácio de Belém, numa cerimónia sobre os seus dois anos de mandato, a propósito das previsões macroeconómicas que, no seu entender, devem ser "muito conservadoras", apesar de haver "projetos de investimento que, se se vierem a concretizar, se podem projetar já este ano ou no ano que vem".

E não falo em grandes, grandes decisões que, mais dia, menos dia virão aí, importantes, em termos portuários ou em termos de infraestruturas. Não falo nisso. Mas, se se olhar apenas a projetos de investimento que estão pendentes, de que o Governo tem falado, aliás, se olharmos à evolução do turismo – mesmo nestes meses que são, teoricamente, sempre mais fracos –, se olharmos para a evolução das exportações, nós podemos dizer que a perspetiva que existe, os números que existem são conservadores e podem ser ultrapassados".

O chefe de Estado insistiu, no entanto, que "é bom manter essa quota-parte de realismo" nas previsões macroeconómicas. "Porque, de repente, há uma decisão protecionista a nível mundial, há uma retaliação europeia, há uma guerra comercial, nós somos envolvidos nesse processo, inevitavelmente, e depois não sabemos exatamente quais são as consequências. Portanto, há um contexto externo que se tem de tomar em linha de conta e que leva, realmente, a essa moderação", argumentou.

Ao fim de dois anos em funções, Marcelo diz que continua a ser um "otimista realista", que gosta de "baixar as expectativas", e congratulou-se por outros seguirem o seu exemplo:

Vejo com alegria que já contaminei alguns otimistas que eu achava um bocadinho menos realistas. Também preferem agora previsões muito conservadoras, e isso é bom".

Deixou também duas promessas na cerimónia que decorreu a este propósito: não utilizar o cargo para uma "candidatura escondida", caso decida recandidatar-se, não ter "despedidas grandiosas". 

O primeiro-ministro, António Costa, enalteceu hoje, a propósito destes dois anos de mandato de Marcelo, a "excelente solidariedade institucional" do Presidente.

Marcelo falou sobre os partidos representados no Parlamento, dizendo que as "clivagens" entre eles "são tantas" que não lhe "parece que haja entendimentos". Porém, reiterou o aviso sobre a importância de consensos sobre fundos europeus, calamidades e descentralização.