A deputada do Bloco de Esquerda (BE), Cecília Honório, requereu esta terça-feira a audição no Parlamento da «equipa que desenvolveu o programa Citius e procedeu à sua manutenção até fevereiro de 2013».

Em requerimento dirigido a Fernando Negrão, presidente da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, a deputada do BE justifica a iniciativa com a «importância do tema» e o «evidente conflito» entre a versão apresentada, no sábado, ao jornal Expresso, por Carlos Brito, responsável pelo departamento de informático do Instituto que gere o Citius, e a versão resultantes de documentos a que a agência Lusa teve acesso.

Ao «Expresso», lembra a deputada, Carlos Brito afirmou que a equipa que concebeu o Citius siu de um dia para o outro em fevereiro de 2013 «sem deixar um papel, um código», tendo o mesmo responsável argumentado que, dado o desconhecimento do sistema, «precisávamos de mais tempo».

«A acusação é grave, mas foi prontamente desmentida pelos anteriores responsáveis pela conceção e manutenção do Citius. Com efeito, no próprio dia, a Lusa produziu uma peça dizendo ter tido acesso a documentos que desmentem a versão apresentada por Carlos Brito», escreve a deputada Cecília Honório no documento.

Cita ainda a notícia da Lusa onde se refere que «a equipa que desenvolveu o sistema informático da justiça forneceu à tutela, antes de se demitir, as credenciais de acesso e respetiva base de dados, além de propor um mês para a passagem de informação proposta que foi rejeitada».

Segundo a deputada, face ao «evidente conflito entre a versão» do atual responsável pela informática do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça e os documentos a que a Lusa teve acesso, «importa esclarecer o que efetivamente se passou e ouvir a equipa anteriormente responsável pelo programa Citius».