O PCP de Leiria manifestou-se este domingo contra qualquer tentativa de privatização ou municipalização do Pinhal de Leiria e sugeriu a criação de uma comissão de acompanhamento da gestão daquela mata nacional.

Num comunicado divulgado este domingo, a direção da organização regional de Leiria do PCP manifesta a sua “total oposição a qualquer tentativa de privatização, direta ou indireta, da maior mata nacional”.

O problema do Pinhal de Leiria não é o princípio da gestão pública pelo Estado, mas sim a carência de meios, para que essa gestão seja eficiente e de qualidade, e o progressivo desinvestimento”, refere a estrutura local do PCP, uma semana depois do incêndio que fustigou o Pinhal de Leiria.

O partido mostra-se também contra qualquer solução de municipalização do Pinhal de Leiria, entendendo que isso pode abrir portas à desresponsabilização dos governos nacionais.

Contudo, o PCP considera que a gestão pública daquela mata nacional deve envolver “de forma mais direta as autarquias da região, bem como as populações”.

Assim, os comunistas propõem a realização de um fórum para a proteção e recuperação do Pinhal de Leiria, que envolva o Governo, autarquias, partidos, associações de bombeiros e a população.

É ainda sugerida a criação de uma comissão de acompanhamento da gestão e valorização da mata nacional de Leiria que envolva a câmara e juntas de freguesia da Marinha Grande.

Numa leitura mais nacional dos incêndios, o PCP de Leiria considera que são “consequência anunciada das políticas de sucessivos governos do PS, PSD e CDS de destruição de estruturas e meios de proteção da floresta”.

A estrutura regional do PCP entende também que “o Governo não retirou todas as lições devidas da tragédia de Pedrogão Grande”.

Os comunistas exigem, assim, que o Orçamento do Estado para 2018 garanta o reforço efetivo de meios humanos e financeiros para a defesa da floresta, com a criação de 100 equipas de sapadores florestais e com a composição de um corpo de guardas florestais.

Cerca de 80% do Pinhal do Rei/Mata Nacional de Leiria desapareceu no incêndio de domingo e segunda-feira, que queimou 8.000 hectares dos cerca de 11.000 daquele espaço, cuja origem remonta ao século XIII.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 44 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.