O Ministro da Agricultura disse, esta quarta-feira, que a ministra da Administração Interna "passou momentos muito difíceis" ao enfrentar no espaço de quatro meses duas tragédias relacionadas com os incêndios que afetaram o país.

Numa reação à demissão da ministra, Capoula Santos afirmou que Constança Urbano de Sousa "é uma colega" pela qual tem "muito apreço" e a decisão que tomou tem de ser respeitada.

É uma colega pela qual tenho muito apreço, que passou, como todos nós, mas ela de uma forma particularmente acentuada, momentos muito difíceis, mas compreendo a sua decisão”. “Foi uma decisão tomada pela senhora ministra que temos de respeitar”, afirmou.

Em declarações aos jornalistas durante uma visita ao Pinhal de Leiria, fortemente afetado pelo incêndio que deflagrou no domingo, Capoulas Santos reconheceu o direito constitucional do CDS-PP em apresentar uma moção de censura ao Governo, mas realçou que a medida foi decidida durante o luto nacional.

O CDS resolveu anunciar [a moção de censura] num momento em que estamos em luto nacional, em que o país está mergulhado neste momento de dor que a todos atinge, mas naturalmente uma decisão que se encaixa nas regras constitucionais e que o Governo naturalmente respeita”.

O ministro afirmou também que o Governo será submetido, através dessa moção de censura no Parlamento, a "um teste de legitimação".

Sobre uma eventual remodelação do Governo, Capoulas Santos remeteu a questão para António Costa: “Nos termos constitucionais, a organização do Governo é uma competência exclusiva do primeiro-ministro", que "decidirá no momento próprio a forma de ajustamento do Governo que entender adequada".

"A permanência no Governo parte de um convite do senhor primeiro-ministro e a cessação de funções de qualquer ministro parte da comunicação do senhor primeiro-ministro. Quem está nesta função sabe sempre que o horizonte é o dia seguinte", sublinhou.

Durante a visita à zona afetada junto à costa do distrito de Leiria, o ministro da Agricultura vai reunir-se, na Câmara da Marinha Grande, com os autarcas dos concelhos afetados pelo incêndio na região.

A ministra da Administração Interna apresentou um pedido de demissão, que foi aceite pelo primeiro-ministro, anunciou esta quarta-feira o gabinete de António Costa.

Na carta de demissão enviada ao primeiro-ministro, Constança Urbano de Sousa diz que pediu para sair de funções logo a seguir à tragédia de Pedrógão Grande, dando tempo a António Costa para encontrar quem a substituísse.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano de acordo com as autoridades, provocaram pelo menos 41 mortos e cerca de 70 feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça e quinta-feira.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 mortos e mais de 250 feridos