A líder do CDS-PP acusou hoje o Governo de gostar de “fazer um brilharete com o dinheiro dos outros” no caso do dinheiro enviado por Bruxelas para as zonas atingidas pelos incêndios do ano passado e vai pedir explicações.

O Governo continua a ter que dar muitas explicações sobre esta matéria. Nós pedimos a presença urgente do ministro responsável pela reconstrução, o ministro Siza Vieira, no parlamento, para explicar o aproveitamento ou o desaproveitamento, ou o abuso no uso dos fundos que foram canalizados para a reconstrução de Pedrógão”, lembrou a presidente dos centristas, Assunção Cristas.

Falando aos jornalistas no final de uma visita a uma escola básica no concelho de Lisboa, onde também é vereadora, Assunção Cristas foi instada a comentar a notícia que o jornal i publicou na edição de hoje, e que dá conta que o Fundo de Solidariedade da União Europeia atribuiu 50,6 milhões de euros a Portugal no âmbito dos incêndios que fustigaram o país no ano passado.

Segundo o jornal, este dinheiro só chegará aos concelhos ardidos em outubro, e metade da verba vai ficar no Estado, isto porque o Governo terá decidido atribuir 26,5 milhões de euros a candidaturas provenientes de instituições como a GNR, a Autoridade Nacional de Proteção Civil ou o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

Na opinião da presidente do partido, “se calhar tem de se juntar também o ministro do Planeamento, uma vez que estão em causa questões como o próprio uso de fundos e de verbas europeias”.

O que me parece é que o Governo gosta de fazer brilharete com o dinheiro dos outros. Ou é com o dinheiro da solidariedade dos portugueses, ou é com o dinheiro que vem de Bruxelas e que serve para pagar as suas próprias contas, pelas quais deveria ser responsável”, afirmou Assunção Cristas quando questionada sobre esta notícia.

Para a centrista, o “dinheiro do Orçamento do Estado é sempre o último a entrar em todas estas contas, o que é um bocadinho estranho”.

Assunção Cristas vincou que “não há aqui uma resposta clara até agora por parte do Governo”, e por isso defendeu que “é preciso chamar, no limite, todo o Governo e o senhor primeiro-ministro à colação, para dar respostas claras sobre esta matéria”.

“Faremos esse pedido de explicações no parlamento e certamente também junto do primeiro-ministro”, anunciou.

Assim, o CDS-PP quer saber “como é que o dinheiro pode chegar efetivamente às pessoas que dele precisam”, uma vez que para o partido é “certo que obviamente estes custos adicionais que houve para o próprio Estado têm de ser ressarcidos em primeira linha com certeza com o Orçamento do Estado, é para isso que ele existe”.

“Há de facto uma incapaz ação do Governo de fiscalizar e de garantir até agora que todas as verbas são devidamente aplicadas”, criticou Assunção Cristas, advogando que existem “vários níveis de financiamento, também vários níveis de aplicação do dinheiro e todos eles têm de ser devidamente escrutinados, com certeza pelo Governo”.

Quanto a eventuais consequências políticas que advenham deste caso, a líder do CDS-PP remeteu essas elações para depois: “isso é o que vamos ver depois de saber se há respostas ou não”.