No debate quinzenal realizado no rescaldo da tragédia dos incêndios do último fim de semana, António Costa repetiu que depois deste verão "nada pode ficar como antes" e admitiu que houve "falhas graves dos serviços do Estado" no que se passou em Pedrógão Grande. Também pediu desculpas, mas só depois de instado pelo PSD. 

O primeiro-ministro recusa que o Governo tenha adiado a tomada de responsabilidades, mas que era preciso saber as conclusões do relatório da comissão técnica e independente sobre o incêndio de Pedrógão Grande.

Foi quando o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, disse que a partir da sua bancada pedia "desculpa" ao país pelo que aconteceu e quando perguntou ao chefe de Governo se também ele já podia pedir desculpa, que António Costa pediu.

Não vou fazer jogos de palavras. Se quer ouvir um pedido de desculpas, eu peço desculpas. E se não o fiz o antes, e se não o fiz antes, e se não o fiz antes não é por não sentir menor peso na minha consciência, porque tenho a certeza que tal como eu, quem quer que estivesse nas minhas funções, não teria vivido todos estes meses com um grande peso na consciência sobre o que aconteceu em Pedrógão e o que voltou a acontecer este fim-de-semana. Sei que viverei com este peso na consciência até ao último dia da minha vida"

O chefe de Governo explicou que no seu "vocabulário "reserva para o íntimo pessoal a palavra "desculpa" e enquanto primeiro-ministro usa a palavra "responsabilidade".

Hugo Soares lamentou que tenha demorado tanto tempo a fazê-lo. "O senhor deve um pedido de desculpas ao país e já devia ter assumido a sua responsabilidade. Saltava na cara a toda a gente que a responsabilidade do que aconteceu foi do Estado, que aquelas pessoas em que o Estado falhou deviam ser reparados nos seus danos, nas suas perdas, pelo Estado. Não era preciso o PSD ter proposto uma comissão técnica independente para ser agora a sua bóia de salvação para tudo o que quer apresentar agora como bóia de salvação. Não era preciso passar quatro meses da tragédia de Pedrógão".