O antigo presidente da República António Ramalho Eanes disse esta segunda-feira ser «indispensável» e «imperativo» um «norteamento ético» da sociedade portuguesa, mais ainda nestes «tempos angustiantes».

Homenagem pública a Ramalho Eanes num 25 de novembro simbólico

Ramalho Eanes: perfil de um militar que conquistou a presidência

«Considero imperativo o norteamento ético da nossa comunidade sempre e muito em especial nestes tempos angustiantes de crise de rutura, dramática, como são os que afrontamos», defendeu o antigo chefe de Estado, que falava em Lisboa durante uma homenagem a si prestada.

Na ocasião, o general sublinhou que «não há género nem propósito de qualquer ação política organizada a desenvolver quer no presente, quer no futuro» e decorrente da homenagem hoje prestada.

Visivelmente emocionado, Ramalho Eanes falou durante cerca de cinco minutos e agradeceu à família e aos organizadores da homenagem.

O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d`Oliveira Martins, interviu sobre o «Eanes político», ao passo que a faceta militar do antigo chefe de Estado foi abordada pelo general Garcia Leandro e o lado do cidadão Eanes foi enaltecido pelo neurocirurgião João Lobo Antunes.

Dezenas de personalidades ligadas à política, mas também à economia e à sociedade civil marcaram presença na homenagem ao antigo Presidente da República Ramalho Eanes.

Nomes da política, como a antiga presidente do PSD Manuela Ferreira Leite, o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, o secretário-geral do PSD, José Matos Rosa, o professor Eduardo Lourenço ou o fundador do CDS-PP, Adriano Moreira, foram alguns dos presentes na iniciativa, que decorreu no auditório da Associação Industrial Portuguesa, na antiga FIL.

A iniciativa de hoje serviu também para apresentar com maior detalhe o prémio Ramalho Eanes, que terá um valor de 50 mil euros, garantidos para a primeira edição, em 2014, criado com o objetivo de distinguir bianualmente personalidades ou instituições na área dos valores da cidadania.

A comissão cívica do testemunho público a Ramalho Eanes, que promove o prémio e a partir da qual deverá ser escolhido o júri, conta com mais de 90 personalidades, entre as quais os ex-presidentes da Assembleia da República Jaime Gama e Mota Amaral, o ex-ministro Bagão Félix, o histórico socialista Manuel Alegre, os empresários Belmiro de Azevedo e Henrique Granadeiro, os cientistas Alexandre Quintanilha e Sobrinho Simões, a presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, os artistas plásticos Júlio Pomar e José de Guimarães, entre outros.

Ramalho Eanes foi Presidente da República entre 1976 e 1986. Foi o coordenador das operações militares de 25 de Novembro de 1975, que pôs fim à influência da extrema-esquerda desde o 25 de Abril de 1974 e, na prática, pôs fim ao PREC (Processo Revolucionário em Curso).