O Bloco de Esquerda acusou hoje o ministro da saúde de ter facilitado a saída de médicos do Serviço Nacional de Saúde, considerando que se vive "uma situação de descalabro" no que se refere a recursos humanos.

Numa intervenção durante o debate de urgência requerido pelo Bloco de Esquerda, a deputada bloquista Helena Pinto sublinhou a carência de médicos no serviço público, dos cuidados primários aos hospitais.

"Faltam médicos porque o senhor facilitou a sua saída, não pôs um travão à antecipação de reformas, porque os grandes hospitais privados, que o senhor protege, seriam obrigados a fechar portas se esses médicos não deixassem o SNS para ir para lá. E também nada fez para travar a emigração de médicos", declarou Helena Pinto, dirigindo-se ao ministro Paulo Macedo.


Para o Bloco, o objetivo do governo durante quatro anos na área da saúde foi apenas um: "atacar o SNS enquanto serviço universal e público, enquanto ao lado o setor privado cresce".

Em resposta, o ministro da Saúde revelou que nos primeiros quatro meses deste ano foram contratados 3.500 profissionais de saúde, entre médicos e enfermeiros.

Paulo Macedo elencou ainda algumas medidas que considera representarem um investimento no SNS, como o alargamento da isenção das taxas moderadoras até aos 18 anos ou o alargamento de utentes abrangidos pela mesma isenção.

O ministro frisou que o governo conseguiu garantir a sobrevivência do SNS e que "muito se evoluiu desde o pedido de resgate à Troika".