O PSD defendeu esta terça-feira que, após quatro anos de governação, o Governo português e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, são "uma voz credível" na União Europeia, "na frente das grandes decisões" e que "lidera os grandes debates".

Esta posição foi defendida pelo líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, depois de questionado sobre o papel que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, reclamou ter tido na obtenção de um acordo para um terceiro resgate à Grécia, e sobre a influência atribuída pelo PS aos socialistas europeus neste processo.

"O mais importante é que quatro anos volvidos, depois de termos pedido ajuda externa, quatro anos volvidos, Portugal é uma voz reconhecida na Europa, é uma voz credível na Europa, é uma voz que lidera os grandes debates: na política económica, na política energética, na política financeira. E isso é motivo de orgulho para os portugueses", afirmou Luís Montenegro.

Confrontado com o facto de Passos Coelho reivindicar que "a solução que acabou por desbloquear o último problema" para um acordo sobre a Grécia partiu de uma ideia sua, enquanto o PS aponta o empenho dos socialistas europeus como o fator decisivo, Luís Montenegro não quis entrar nessa discussão.

"Todas as decisões que puderem concretizar-se em mais qualidade de vida de qualquer cidadão no espaço europeu devem ser executadas, qualquer que seja a proveniência das propostas", respondeu o líder parlamentar do PSD, que falava no final de um encontro com embaixadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Contudo, em seguida, Luís Montenegro manifestou "a certeza" de que "o Governo português colaborou nesta como em todas as grandes decisões da Europa dos últimos anos", e enalteceu o contributo do executivo PSD/CDS-PP para essas decisões.

"É, aliás, muito curioso que tenhamos iniciado esta legislatura - e estamos no seu 'terminus' - com uma acusação de que Portugal não tinha voz na Europa e de que o Governo português não tinha uma política europeia, e acabamos vendo o Governo português e o primeiro-ministro português na frente daquilo que são as grandes decisões que hoje se tomam na União Europeia", considerou.

Segundo o líder parlamentar do PSD, "até chega a ser ridículo" ouvir os mesmos que apelidavam os dirigentes do atual Governo de "seguidistas das políticas alemãs" alegarem "que a ministra das Finanças portuguesa influenciou de forma decisiva uma tomada de decisão do ministro das Finanças alemão".


Acordo para a Grécia é "positivo"


Quanto ao acordo para um terceiro resgate à Grécia, sem querer "entrar no detalhe das condições", Luís Montenegro qualificou-o de "positivo para manter a integridade quer da União Europeia quer da zona euro".

Escusando-se a avaliar os termos desse acordo, o líder parlamentar do PSD disse esperar que a sua execução "não traga mais instabilidade" e que não se siga "um quarto ou um quinto resgate".

O social-democrata manifestou o desejo de que a Grécia consiga "ter estabilidade financeira, que lhe permita recuperar a sua economia, recuperar a capacidade de gerar emprego e de gerar equilíbrio social", e de que a União Europeia possa "virar a página dos resgates" e abrir espaço ao "crescimento económico e do emprego".

Luís Montenegro apontou Portugal como exemplo de que "é viável" uma "recuperação financeira geradora de criação de riqueza" e acrescentou que espera para os gregos "o mesmo resultado, porque ele é possível".