O Governo devia “aprender a lição” do povo grego ao votar massivamente 'não' à proposta dos credores, defendeu esta segunda-feira o secretário-geral do PCP, que se mostrou, no entanto, descrente quanto a uma mudança de postura do Executivo português nas negociações. 

“Não verificamos nenhuma vontade de alterar o posicionamento, porque o Governo, tal como o Presidente da República, tiveram um papel profundamente negativo, que não nos orgulha, um posicionamento de falta de brio patriótico, de seguidismo inaceitável”


Jerónimo de Sousa considerou que o Governo português “devia aprender a lição e dar combate a esta tentativa de outros decidirem” pelos portugueses, em relação ao futuro para o país.

A vitória do “não” representou uma “rejeição clara por parte do povo grego das políticas e das medidas de empobrecimento e de exploração” a que está sujeito, e também “uma vitória sobre a chantagem e a pressão inaudita que se verificou nestes últimos tempos, procurando vergar e humilhar aquele povo”, acrescentou, à margem de uma reunião na sede do partido com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), em Lisboa. 

“Com a sua posição em relação ao referendo, quis demonstrar não é que quer morrer de pé, antes pelo contrário, é um povo que quer viver de pé, com dignidade através da afirmação da sua soberania”

Para Jerónimo de Sousa, a decisão da Grécia “deveria ser exemplo para o governo [português], que alinhando com os poderosos, com o diretório de potências, com as instituições da União Europeia, com o FMI [Fundo Monetário Internacional], procura com esse apoio tentar branquear aquilo que foi o seu posicionamento sempre de submissão, de seguidismo, em relação a essas orientações, aos ditames, aos instrumentos que a União Europeia e o FMI têm imposto aos povos”.

“Nesse sentido, pensando no nosso país, e continuando a afirmar aquilo que a Constituição da República afirma que a soberania reside no povo, cremos nós que tem de haver de facto uma rutura com este caminho de submissão, de aceitação passiva, de alienação de parcelas da nossa soberania e simultaneamente dar força a esta ideia de que os povos têm direito de escolher o seu devir coletivo”, frisou.

Para o secretário-geral comunista, “independentemente de desenvolvimentos ainda imprevisíveis”, o referendo “foi uma grande afirmação da vontade de um povo em viver com dignidade”.

"Gregos mostraram que é possível vencer o medo"

Da parte do Bloco de Esquerda, Catarina Martins disse que "entre a democracia e a chantagem", os gregos escolheram a democracia.

"Mostraram que é possível possível vencer o medo, mesmo quando o BCE obrigou ao fecho da banca", afirmou.

Já quanto ao Governo português, tem tido uma postura "lamentável", mas "felizmente não é ouvido na Grécia", ironizou.