O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou esta segunda-feira que o partido só poderá voltar ao poder "se não tiver medo de perder" e defendeu que deve ser dado tempo ao atual Governo para ser responsabilizado pelas suas políticas.

Num almoço organizado pelo Fórum de Administradores de Empresas (FAE), em Lisboa, Passos Coelho foi questionado por um empresário sobre como é que o partido poderá novamente voltar ao poder e reconquistar eleitorado como os funcionários públicos e os pensionistas.

A estratégia é não ter medo de perder, essa é a estratégia", respondeu Passos Coelho.

Nós não temos nenhuma possibilidade de acomodar políticas generosas, do ponto de vista financeiro, quer para os pensionistas quer para os funcionários públicos. Por mim o PS pode lá ficar à vontade, terá tempo para explicar aos portugueses porque é que não tem dinheiro para isso", acrescentou o anterior primeiro-ministro.

Responsabilização por políticas

O líder do PSD assumiu-se como defensor da estabilidade, seja para dar tempo a um Governo de definir as suas políticas sem pensar em eleições, seja para que possa assumir a responsabilidade pelas mesmas.

A minha confiança em que o PSD pode ter um bom resultado para o futuro resulta da minha confiança de que a equação como está a ser gerida não é sustentável", disse, acusando o Governo de "degradar a qualidade dos serviços públicos" em áreas como a educação e saúde para sustentar as políticas de reposição de rendimentos.

Em resposta a outro orador, Passos Coelho voltou a alertar o Governo que não conte com o PSD para o apoiar em matérias em que o PS tem posições divergentes do PCP e BE, como a dívida ou a manutenção do euro.

Se o Governo depender de nós para fazer esse tipo de opções, tire o cavalinho da chuva, a responsabilidade política tem de ser completa e não parcial", disse.

"História da carochinha"

No encontro, o líder do PSD defendeu também que o Governo tem de assumir e resolver o problema do crédito malparado, que "vai custar dinheiro" a alguém, considerando uma "história da carochinha" dizer que este vai ser resolvido milagrosamente pela Europa.

Na sua intervenção, Pedro Passos Coelho estimou que faltam "limpar cerca de 20 mil milhões de euros" em imparidades e crédito malparado no sistema financeiro, dos 40 a 50 mil milhões existentes em 2011.

Há, no entanto, quem pense de outra maneira e imponha custos demasiados a todos para que o problema se possa resolver. Uma solução para limpar crédito malparado ou custa dinheiro ao Estado e aos contribuintes, ou custa dinheiro aos acionistas dos bancos ou custa dinheiros às empresas ou custa dinheiro aos clientes dos bancos", afirmou.

Considerando que o problema no sistema financeiro continua a existir, Passos Coelho alertou que "dizer que milagrosamente o problema se vai resolver porque na Europa se vai arranjar uma maneira de o resolver é a mesma conversa da carochinha e a conversa de cordel para os processos de reestruturação da dívida".

É acharmos que alguém paga por nós e isso não existe", afirmou.