O Governo português congratulou-se hoje com a atribuição do prémio Nobel da Paz ao indiano Kailash Satyarthi e à paquistanesa Malala Yousafzai, que considerou um reconhecimento da «enorme coragem na defesa dos direitos da criança».

«A distinção destes dois ativistas dos direitos humanos significa, antes de mais, premiar e reconhecer exemplos e percursos de uma enorme coragem na defesa, em situações muito adversas, dos direitos da criança, do fim da exploração laboral infantil e do direito de todas as crianças à educação», refere um comunicado do ministério dos Negócios Estrangeiros.

O executivo recorda que este ano se assinala o 25.º aniversário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança e expressa votos para que os dois laureados «continuem o seu trabalho em defesa das crianças».

Malala Yousafzai, 17 anos, é a mais jovem dos galardoados e tornou-se num símbolo reconhecido internacionalmente de resistência aos esforços dos talibãs em negar educação e outros direitos às mulheres.

Com 50 anos, Kailash Satyarthi é um dos promotores da Marcha contra o Trabalho Infantil e já resgatou mais de 60 mil crianças trabalhadoras e também adultos mantidos sob regime de escravidão.

«As crianças devem ir à escola e não serem exploradas financeiramente», disse o presidente do comité do Prémio Nobel, Thorbjorn Jagland.

Prémio reconhece importância dos direitos das crianças

A diretora-executiva da Comité Português da UNICEF destacou hoje que a atribuição do prémio Nobel da Paz ao indiano Kailash Satyarthi e à paquistanesa Malala Yousafzai é um «sinal da importância de reconhecer os direitos das crianças».

Em declarações à Lusa, a responsável, Madalena Marçal-Grilo, congratulou-se com a atribuição do galardão aos dois ativistas, hoje anunciada.

«É um reconhecer da importância da luta pelos direitos humanos e, aqui concretamente, a luta pela realização dos direitos de todas as crianças. É um estímulo para que os direitos das crianças sejam assumidos e respeitados, não apenas num país ou noutro, porque em todos os países há violações dos direitos das crianças», destacou.

Por outro lado, o prémio também demonstra a importância de ouvir o que as crianças têm para dizer.

«Malala tem sido um exemplo claríssimo desta força de fazer-se ouvir, de participar e de dar o seu contributo para a realização dos direitos das crianças», sublinhou Madalena Marçal Grilo.

A diretora-executiva do Comité Português para a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) destacou o percurso de Malala Yousafzai, «uma defensora incansável dos direitos das raparigas».

A jovem paquistanesa «tem dado um exemplo e é um motivo de inspiração, porque teve a coragem de desafiar os poderes estabelecidos no país e isso ia-lhe custando a vida», num ataque a tiro pelos talibãs, considerou.

A diretora-executiva da UNICEF Portugal assinalou ainda a determinação de Malala na sua luta, que prossegue «com a mesma força e vigor, em defesa dos direitos das crianças e do direito do acesso à educação, que é tão importante para as raparigas, para o seu presente e para o seu futuro», bem como a sua tolerência, traduzida numa cultura de não-violência para com os seus agressores.

Quanto a Kailash Satyarthi, Madalena Marçal Grilo assinalou o seu trabalho como «defensor dos direitos das crianças, nomeadamente na luta contra o trabalho infantil, que continua ainda a afetar tantas crianças no mundo».