O Partido Socialista congratulou-se este sábado com o acordo para a TAP, considerando que acautela o "interesse público" e demonstra que "era falsa a narrativa" do anterior Governo do PSD/CDS em relação à companhia aérea.

"A TAP volta para as mãos do Estado, era esse o objetivo do programa eleitoral, do programa do Governo, era esse o compromisso", sublinhou o vice-presidente da bancada socialista na Assembleia da República, João Paulo Correia, em declarações à Lusa.

O deputado sublinhou que além de o Estado ficar com 50% da empresa, também "a gestão estratégica da TAP ficará sempre condicionada à vontade e à palavra do Estado".

"E, portanto, a defesa do interesse público será assegurada por esse acordo", afirmou, revelando que o grupo parlamentar do PS vai chamar o ministro Pedro Marques à comissão de Economia e Obras Públicas para "apresentar o acordo ao parlamento".

Para o PS, "este acordo podia ter sido alcançado em alternativa ao processo de privatização que foi promovido pelo anterior Governo".

"Hoje sabemos que era falsa a narrativa de que a capitalização e a recuperação da TAP só poderia ser alcançada com a privatização da maioria do seu capital", acrescentou, sublinhando que "volvidos poucos meses, o novo Governo negociou" e conseguiu o resultado agora conhecido.

Sublinhando que o acordo "cumpre o principal objetivo, ou seja, a TAP volta para as mãos do Estado", João Paulo Correia considerou que se justificam os quase 2 milhões de euros que o Governo vai pagar para voltar a controlar a companhia aérea, por estar em causa "a recuperação de uma empresa estratégica".

"Apesar de ser um valor expressivo, (...), para a recuperação de uma empresa estratégica como é a TAP para o país e para que o Estado consiga ser o maior acionista da empresa, como vai passar a ser (...), para que a TAP volte para as mãos do Estado, é um valor justificado", afirmou.

O Governo de António Costa vai pagar 1,9 milhões de euros para o Estado ficar com 50% da TAP, noticiam hoje o semanário Expresso e o Diário de Notícias.

Segundo os jornais, o Estado vai pagar 1,9 milhões de euros para ficar com 50% das ações e escolhe o presidente do conselho de administração, que passa a ter voto de qualidade.

O consórcio Gateway, que tinha comprado 61% da empresa em novembro, passará a ter 50% do capital da TAP, menos as ações que forem compradas pelos trabalhadores, que podem ir até um máximo de 5%.

O ministro das Finanças, Mário Centeno, o ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, e os representantes do consórcio Atlantic Gateway, Humberto Pedrosa e David Neelman, dão uma conferência de imprensa hoje de manhã em Lisboa, após a assinatura do memorando de entendimento, que conta com a presença do primeiro-ministro, António Costa.