O secretário-geral do PSD/Madeira, Rui Abreu, disse esta quinta-feira que o presidente do governo regional cessante, Alberto João Jardim, será convidado para a tomada de posse do novo executivo madeirense no dia 20 de abril. Isto depois de, na quarta-feira, num ato público, questionado sobre se estaria presente, Jardim  ter dito: «Se for convidado vou, obviamente, porque é de boa educação. Vamos ver quem é bem-educado».

«Vai com certeza ser convidado [Alberto João Jardim] como todos os membros do governo cessante e o senhor representante da República», disse Rui Abreu aos jornalistas após a audiência com o representante, o qual está hoje auscultar os partidos com assento parlamentar relativamente à formação do novo executivo que saiu das eleições madeirenses de 29 de março.

Rui Abreu informou ainda, segundo a Lusa, que a nova composição da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) será instalada no dia 20 de manhã e que a tomada de posse terá lugar na tarde desse mesmo dia.

O responsável social-democrata adiantou que o objetivo era que a cerimónia de posse acontecesse na sala do plenário do parlamento regional, mas, referiu que como o espaço «não tem condições com o número de pessoas que são convidadas», foi necessário «transpor a sessão para o salão nobre» da ALM.

Sobre se estava prevista a presença de alguma figura nacional do partido neste ato oficial, o secretário-geral do PSD/M respondeu: «Ainda não sabemos (…) não podemos ainda informar com alguma segurança se virá [alguém]».

Quanto à audiência com o representante da República, o juiz conselheiro Ireneu Barreto, apenas referiu que se tratou de «uma formalidade», visto que a lei determina que sejam ouvidos os partidos para opinarem sobre a formação do governo.

CDS insta PSD a apresentar programa que não apresentou na campanha eleitoral

O presidente do CDS/PP na Madeira, José Manuel Rodrigues, transmitiu entretanto ao Representante da República para a região autónoma, Ireneu Barreto, que o PSD deve formar Governo e apresentar o programa que não mostrou na campanha eleitoral.

«Apesar de o PSD ter a menor maioria absoluta de sempre da história da democracia e da autonomia naturalmente que o CDS transmitiu ao senhor Representante que o líder do PSD deve formar Governo e, sobretudo, deve apresentar um bom programa de Governo ao parlamento regional, uma vez que não o fez aos madeirenses na campanha eleitoral», considerou José Manuel Rodrigues.

PS dá «benefício da dúvida»

O deputado eleito do PS/Madeira, Carlos Pereira, disse, por sua vez, que o partido vai dar o «benefício da dúvid»” ao novo governo regional do PSD, apoiando nas medidas políticas que considera importantes para a região.

«O PSD é que vai constituir governo, esperamos agora que cumpra com o seu programa de governo. É esse o benefício da dúvida que deverá ser dado e vai ser dado pelo PS»


Carlos Pereira, que se fez acompanhar apenas pelo deputado cessante Maximiano Martins [o líder do PS/Madeira, Victor Freitas, demitiu-se na noite das eleições na sequência do mau resultado alcançado] disse que tinham manifestado «as preocupações» do partido ao Representante da República.

«Há um conjunto de matérias que o PS defendeu e algumas delas estavam no programa do governo do PSD. Nós esperamos que esse conjunto de questões seja cumprido». «A nota que gostaria de dar é que o PS naturalmente será parceiro nessas matérias de interesse para a Madeira e tudo fará para que sejam efetivamente concretizadas (…) o mais rápido possível»


Carlos Pereira sublinhou que a postura do PS «será obviamente de apoio» para que essas várias questões sejam rapidamente resolvidas, enunciando o problema dos transportes aéreos - que deve passar por um regime igual ao implementado nos Açores-, a situação dos portos da Madeira que são considerados os mais caros da Europa e a renegociação das parcerias público-privadas que custam «40 milhões de euros por ano».

Também defendeu a necessidade dos «maiores partidos se entenderem relativamente a matérias que de alguma forma sejam mais complexas, como a questão da dívida».

Questionado sobre a situação da liderança interna do PS/Madeira na sequência da demissão do presidente Victor Freitas, Carlos Pereira disse que os militantes estão a efetuar «uma reflexão profunda» aos maus resultados eleitorais, adiantando que a solução deve ser no «sentido do PS crescer, se erguer e se apresentar à população nas próximas eleições como partido com grande credibilidade e capaz de resolver os problemas dos madeirenses».

Instado sobre se estava disponível para avançar, Carlos Pereira vincou: «Estou a fazer essa reflexão e se achar que existem condições para isso darei a resposta na altura certa».

Resultados eleitorais

Nas eleições legislativas regionais antecipadas de 29 de março na Madeira, o PSD, agora liderado por Miguel Albuquerque, que substituiu Alberto João Jardim, conquistou a sua 11.ª maioria absoluta, obtendo 44,33% dos votos e 24 lugares no parlamento regional.

O CDS/PP foi a segunda força mais votada na região (13,69%) e conseguiu um grupo parlamentar com sete elementos, menos dois que na anterior legislatura.

A coligação Mudança (PS/PTP/MPT/PAN) ficou-se pelos 11,41% e seis deputados, o Juntos Pelo Povo que se estrearam nestas legislativas obteve cinco deputados fruto dos 10,34% dos votos, a CDU e o BE ficaram com dois representantes cada e o PND conseguiu manter o seu lugar no parlamento regional.