Francisco Louçã, antigo dirigente do Bloco de Esquerda e um confesso apoiante do Syriza considera “difícil” um acordo entre a Grécia e os dirigentes europeus. Louçã considera aliás que a bola está do lado dos dirigentes europeus.
 

“Só depende das autoridades europeias a decisão política e económica se querem ou não a Grécia no euro. Da Merkel… não há nenhuma outra autoridade europeia”, resumiu Francisco Louçã, numa entrevista no Jornal das 8 da TVI.

  

“Neste momento, nenhuma decisão depende do Governo grego. (…) Toda a decisão é remetida para os encontros entre o primeiro-ministro e a chanceler alemã e os chefes de Governo da União Europeia.”

 
 
Francisco Louçã esteve na Grécia há duas semanas e conhece o novo ministro das Finanças grego, Euclid Tsakalotos. “O novo ministro das Finanças, ao contrário de Varoufakis tem uma ligação mais intensa ao partido e à maioria parlamentar. (…) Creio que ele terá, ao contrário de Varoufakis (que é mais exterior a este núcleo político essencial) mais presença interna. (…) Reúne muito mais aquela maioria parlamentar, reforçada pelo referendo”, resumiu.
 
 

“Mas não creio que no substancial ele vá mudar a convicção que os dirigentes gregos têm de que a chave da solução para a Grécia é poder alterar as condições do peso de uma dívida pública”, acrescentou.

 
 
O antigo dirigente bloquista, economista de formação, concorda que “Portugal não tem a mesma pressão que a Grécia”. “Tem um grande alinhamento com a senhora Merkel, o que dá uma certa proteção política. Passos Coelho é um aluno disciplinado, mas também tem uma dívida pública elevada”, sublinha.
 

“A nossa dívida pública é menor do que a dívida grega, mas está muito acima do que é considerado sustentável”, alerta.

 

“Somos uma economia muito vulnerabilizada e qualquer crise financeira que possa desencadear um aumento da pressão nos juros leva-os à beira do abismo.”

 
Para Louçã, “Portugal precisa de ter uma economia que responda à crise da dívida, criando emprego”. “Sem isso, pode fazer-se as vénias à senhora Merkel que se quiser, mas a Europa continua a virar-nos as costas”, remata.