série de entrevistas

“Se essa for a decisão da democracia, não é seguro que seja, [porque] mesmo as sondagens que dão essa vitória na primeira volta a Marcelo Rebelo de Sousa são muito aproximadas da fasquia dos 50%. (…) Marcelo Rebelo de Sousa partiu muito à frente de todos os outros [candidatos]. Com uma consolidação política maior [e depois] o PS desistiu da campanha eleitoral - ao procurar pôr todo o seu empenho numa candidatura de alguém que deu esperança de vir a ser candidato.”


“A divisão do partido Socialista e, talvez, uma desilusão com o pouco impacto de um candidato cuja notoriedade era muito pequena – Sampaio da Nóvoa – levou António Costa a fazer uma coisa que o PS nunca tinha feito até agora, que é não apoiar nenhum candidato. (…) Não o fazendo dá um sinal de desgosto em relação a António Guterres, de orfandade em relação à candidatura, de perceção da divisão…  (…) Para os eleitores do Partido Socialista penso que é incompreensível a guerra entre Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, seria muito mais natural que um desistisse para o outro.”







“O problema é que ele demonstrou, particularmente nos últimos dias, algum laivo de arrogância ao dizer : ‘daqui a umas semanas estou sentado em Belém’. Ao mostrar que não precisa, ou que não quer, fazer campanha eleitoral e, isto não é muito sério para as pessoas. Não é muito respeitador das pessoas, que querem um candidato que não esteja só a divertir-se, mas que esteja a responder pelas dificuldades.”


“Tem um currículo extraordinário, é a melhor deputada europeia, é muito respeitada [no Parlamento Europeu], vista como uma deputada de grande nível. É imensamente trabalhadora e tem uma capacidade de comunicação e simpatia enorme. (…) Tem levantado problemas interessantes, (...) [e], essencialmente, numa campanha com gente muito triste, traz um raio de alegria.
 

“Contas do Banif foram falsificadas”


“Na minha opinião as contas estão falsificadas. Há um esforço enorme por parte do Banco Central Europeu (BCE) para impor uma recapitalização do Santander, é um enorme favor ao Santander, aliás, afastou todos os adversários, [e] impôs um valor exorbitante de refinanciamento do Banif que não tem nenhuma justificação. As contas foram excessivas em relação às necessidades de capital do Banif, que tinha naturalmente que corrigir os seus problemas – devia dinheiro ao Estado e não estava a conseguir pagá-lo – mas era uma diferença de umas centenas de milhões de euros, não era de três mil milhões de euros.”






“Na política não se passam cheques em branco”


“Os partidos que apoiam o Governo têm de ser muito fiéis aos seus compromissos, e creio, por isso, que fizeram bem em voltar contra o acordo sobre o Banif. (…) Era o último Orçamento do Governo PSD/CDS, mas foi também um sinal de que esses partidos não vão aceitar um aumento de impostos se vierem dizer, um dia, a Portugal, que é preciso voltar a preencher um buraco bancário. (…) Na política não se passam cheques em branco.”