O ex-líder do Bloco de Esquerda Francisco Louçã defendeu «uma união muito forte» em Portugal contra a austeridade, sobretudo quando o país tem «20 anos de protetorado pela frente», o que o torna numa «democracia pequenina».

«Um país que tem 20 anos de protetorado pela frente não é uma democracia ou é uma democracia pequenina, sem nenhum sentido, sem esperança, sem respeito pelas pessoas», disse.

«É preciso rejeitar a austeridade, responder à Europa com muita clareza e sem cobardia para mostrar que Portugal precisa de defender o emprego e tomar decisões soberanas», argumentou.

Francisco Louçã falava aos jornalistas após participar na sessão «Vinhas da Ira», no âmbito do Fórum Socialismo 2014, que o BE está a realizar em Évora, até domingo.

Questionado pelos jornalistas, por diversas vezes, sobre a situação interna no Bloco de Esquerda, o antigo coordenador do partido recusou fazer grandes comentários.

«Comentários sobre a vida do Bloco são os porta-vozes do Bloco que fazem, não sou eu», disse.

Louçã afirmou, contudo, que «é preciso uma esquerda forte» em Portugal e que o BE «dará um enorme contributo para essa esquerda forte, capaz de responder às dificuldades do país».

Instado sobre se a fórmula de liderança bicéfala do partido tem funcionado, o antigo coordenador também não respondeu de forma direta.

O Bloco «tem que passar pela luta e é assim que se faz, é preciso aprender na luta». «É assim que temos feito sempre ao longo da vida e é por isso que eu confio na capacidade do Bloco de responder», limitou-se a dizer.

«Eu não vou discutir nenhum assunto que diga respeito às decisões democráticas que o Bloco tem que tomar no seu contexto», referiu também o ex-líder.

Sobre o Orçamento Retificativo apresentado recentemente pelo Governo, o ex-coordenador do BE disse que «contempla a maior fatura de impostos da História de Portugal», de 37 mil milhões.

Isto pressiona «a continuação de uma situação de recessão e de desemprego e, portanto, de desarmamento, de destruição da economia portuguesa», continuou.

«Este orçamento confirma a continuação de uma enorme pressão fiscal» e «Portugal está a perder com esta austeridade», acusou, defendendo que «era preciso sensatez a nível da Europa e não a desistência que a Europa tem tido em relação às pessoas».

Na sessão no fórum do BE, Francisco Louçã dissertou sobre o livro «Vinhas da Ira», de John Steinbeck, e o filme a que deu origem, realizado por John Ford, os quais retratam aspetos da Grande Depressão de 1929, nos Estados Unidos.

O ex-líder bloquista comparou a temática com a situação atual de crise de Portugal: «Há uma proximidade no sentido em que cada relatório do FMI insiste na flexibilização do mercado de trabalho, ou seja, reduzir o papel dos sindicatos, da contratação coletiva e tornar o salário um fator decidido pelo empregador».