O cabeça de lista socialista às europeias, Francisco Assis, acusou esta quinta-feira o «número um» da coligação PSD/CDS, Paulo Rangel, de pretender «emigrar» para o passado, assumindo-se como líder de oposição a um Governo que já não existe.

Francisco Assis falava no centro de Leiria, depois de confrontado pelos jornalistas com as críticas de Paulo Rangel à construção do estádio desta cidade, por impulso de um executivo socialista, que se destinou ao Euro 2004 de futebol e que é considerado um «elefante branco».

«Parece que o dr. Paulo Rangel quer emigrar para o passado, pretendendo assumir-se como líder da oposição a um Governo que já não existe, quando o PSD já está no Governo há quase três anos. O dr. Paulo Rangel não consegue olhar para o presente, nem para o futuro, e parece querer projetar-se e emigrar para o passado», reagiu o «número um» do PS.

Sobre a questão do Euro 2004 em Portugal, Francisco Assis defendeu que essa iniciativa foi «consensual» do ponto de vista político e «destinou-se a atrair um grande acontecimento» para o país.

Interrogado sobre o investimento feito no estádio em Leiria, com lotação para 30 mil espetadores e que muito poucas vezes encheu, o ex-líder parlamentar do PS no segundo Governo de José Sócrates sustentou a tese de que «há investimentos públicos bons e outros com maus resultados».

«Mas o dr. Paulo Rangel lamentavelmente demoniza o investimento público. Ora, não há país nenhum do mundo, por muito liberal que seja, que se tenha desenvolvido sem investimento público», advogou Assis.

Assis cultiva o otimismo contra a crise

Francisco Assis defendeu, numa empresa de moldes da Marinha Grande, a necessidade de se cultivar uma mensagem política de otimismo e confiança, mesmo no quadro da atual conjuntura.

«O PS não é um partido que cultive o pessimismo», salientou Francisco Assis aos jornalistas, tendo ao seu lado a «número dois» da lista socialista, Maria João Rodrigues, no final de uma visita à fábrica de moldes da «Plimat».

A «Plimat» exporta 80 por cento da sua produção, sobretudo moldes para canalizações, e contornou o período de crise nas maiores economias da União Europeia apostando nos mercados do leste europeu (Rússia, República Checa e Polónia) e América Latina (Argentina, Chile, Perú, Colômbia e México).

Com o presidente da Câmara da Marinha Grande na comitiva, o empresário disse a Assis que vai construir uma nova fábrica, essa maior do que a atual, já com cinco mil metros quadrados.

Tal como tinha acontecido esta manhã em Penacova e em Vila Nova de Poiares, o cabeça de lista europeu do PS voltou a elogiar a «imaginação, a criatividade e o investimento de risco».

«Há empresários que estão a conseguir resistir a esta crise. Temos de projetar uma mensagem de confiança e de otimismo em relação ao futuro», declarou aos jornalistas.