O BE emitiu um comunicado para argumentar por que razão viabilizou as alterações à lei do financiamento dos partidos. Essas mudanças acabam com o limite máximo aos donativos recebidos pelos partidos e que permitem o reembolso de IVA de todas as despesas.

O partido liderado por Catarina Martins escuda-se na necessidade de consenso para responder às recomendações do Tribunal Constitucional, de modo a garantir a "fiscalização" da atividade e da contabilidade partidárias.  

Mesmo em relação à possibilidade que o diploma prevê de os partidos pedirem o reembolso do IVA de todas as despesas, o BE diz que foi a "convergência possível", embora a votação não espelhe "a posição de fundo do Bloco de Esquerda sobre esta matéria".

O Bloco de Esquerda considera que não deveria existir devolução do IVA aos partidos políticos por incorporar uma discriminação entre candidaturas partidárias e candidaturas de grupos de cidadãos eleitores a autarquias locais. Não tendo sido possível alterar o consenso existente, o voto do Bloco foi a forma de garantir que os partidos não ficavam, por incapacidade de acordo, sem fiscalização. Entendemos que a lei deve e pode melhorar e não deixaremos de fazer esforços nesse sentido".

Ao mesmo tempo, o BE sublinha que as alterações à lei mantêm "os cortes nas subvenções partidárias já anteriormente decididas e votadas pelo Bloco de Esquerda" e que os donativos individuais continuam limitados anualmente a 25 vezes o valor do IAS (Indexante dos Apoios Sociais) por doador e são obrigatoriamente titulados por cheque ou transferência bancária, "garantindo a fiscalização e a transparência".

Hoje, o CDS-PP pediu ao Presidente da República que vete as mudanças aprovadas muito discretamente, no Parlamento, no passado dia 21, sem discussão pública, e que só tiveram os votos contra dos centristas e do PAN.

Ora, Marcelo Rebelo de Sousa emitiu entretanto uma nota no site da Presidência, a explicar que só se pode pronunciar oito dias depois de receber o diploma (o que aconteceu no dia 22) e lembrando ao primeiro-ministro e ao Parlamento que podem enviar a lei para fiscalização preventiva do Tribunal Constitucional. Fica a chamada de atenção antes de o próprio Presidente se manifestar.