O executivo de Passos Coelho não vai aceitar um cenário governativo de gestão, caso enfrente a oposição da esquerda, garantiu o social-democrata Fernando Negrão, nesta quinta-feira, em entrevista à Antena 1.
 
“Não há disponibilidade para um Governo de gestão”, afirmou o futuro ministro da Justiça e candidato derrotado à presidência da Assembleia da República.
 
Para Fernando Negrão, Cavaco Silva "deverá ponderar essa determinação por parte da PàF [coligação Portugal à Frente] em não ficar em gestão, sob pena de um bloqueio”. 
 
Em todo o caso, o social-democrata defende que o Presidente da República “não traçou um caminho definitivo” sobre o próximo executivo de Portugal.
 
“O Presidente da República fez um discurso veemente, em que explicou a situação do país, as consequências de um Governo formado pela coligação à esquerda, mas não traçou um caminho definitivo. Ficaram em aberto as duas possibilidades, ou de ficar um de Governo de gestão, ou de chamar o Partido Socialista para formar Governo”, analisou.

Fernando Negrão acredita, no entanto, que o Governo de Passos Coelho pode até ser viabilizado pelo Partido Socialista, referindo-se concretamente à alegada indisciplina de voto por parte de 14 deputados.
 
“Esses 14 podem viabilizar um Governo. Não estou a dizer que isso vá acontecer, mas, se o acordo à esquerda tiver uma amplitude de tal modo perigosa para o país, quero pensar que esses deputados pensem duas vezes antes de votar a queda do Governo”, observou, antecipando ainda que um "Governo [de António Costa] vai ter problemas que podem levar a eleições antecipadas”.