Marcelo Rebelo de Sousa quer que se apurem factos e responsabilidades rapidamente no caso do roubo de armamento militar em Tancos. Porém, o Presidente da República continua sem se alongar no tema, nem reagiu às demissões anunciadas por dois generais, este sábado. Demissões que mostram a clivagem existente com o chefe de Estado-Maior do Exército, que exonerou outros cinco comandantes.

Sobre esse tema já sabem a minha posição. O importante é apurar tudo, de alto a baixo, em todas as circunstâncias, em matérias de facto e de responsabilidade. É isso que os portugueses têm o direito de saber e é isso que importa fazer rapidamente".

Depois de um concerto, em Pedrógão Grande, em memória das vítimas dos incêndios, onde também marcou presença o chefe do Exército, Rovisco Duarte, foi apenas isso que o Presidente da República disse aos jornalistas. Já o chefe do Exército remeteu-se completamente ao silêncio, recusando responder a perguntas.

Já vão em duas as demissões no Exército português a espelhar as divergências com Rovisco Duarte. Depois do comandante de Pessoal, José Antunes Calçada, agora é a vez do general Faria Menezes, atual comandante operacional das Forças Terrestres. Com uma diferença de poucas horas, anunciaram que vão sair, indignados com a atuação do chefe do Estado-Maior do Exército

Marcelo vai convocar reuniões do Conselho de Estado e do Conselho Superior de Defesa para o dia 21 de julho. Tem sido parco em comentários sobre o assunto, mas tem feito o seu trabalho de casa, a começar pela visita que fez a paiolins e a Tancos, que considerou "muito útil".

Antes de o chefe de Estado falar hoje sobre Tancos, o CDS-PP tentou pressionar o primeiro-ministro a "dar a cara" e a fazer uma remodelação de Governo. O partido liderado por Assunção Cristas pede ainda uma intervenção do Presidente. 

Recorde-se que o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas decidiu exonerar os comandantes até estarem concluídas as investigações internas que determinou. Uma decisão que não foi consensual na estrutura do Exército, mas que foi assumida como um ato de comando que, segundo entendeu, melhor protegia os comandantes na fase das investigações.

A pista seguida pela Polícia Judiciária para o desaparecimento de material militar em Tancos é a de mercenários portugueses que atuam por conta própria e transacionam armamento para "senhores da guerra".