O PS acusa o primeiro-ministro de entrar «numa total contradição» sobre a marcação de um Conselho de Ministros para 17 de maio, considerando que «a mentira está no ADN político» de Passos Coelho e da maioria.

«Chega de enganar os portugueses, parece-me claro que definitivamente a mentira está no ADN político do primeiro-ministro e da maioria», afirmou esta terça-feira António Galamba, do secretariando nacional do PS, em declarações à Lusa a propósito da carta enviada pelo Governo à Comissão Nacional de Eleições (CNE) depois de a CDU ter apresentado um protesto contra a realização do Conselho de Ministros em plena campanha eleitoral para as europeias de 25 de maio.

Na carta, o Governo explica que «a escolha do dia 17 de maio para a realização de um Conselho de Ministros não decorre da adoção de qualquer critério de oportunidade política mas antes do simples facto de o Programa de Assistência económica e Financeira a Portugal ter a duração de três anos».

Lembrando que ainda na semana passada o primeiro-ministro afirmou que reuniu o Governo «para não haver confusões entre a saída do programa de ajustamento e a campanha eleitoral», António Galamba notou que «na carta o executivo reconhece que a reunião de 17 de maio afinal é para comemorar o fim do programa de ajustamento».

«Mais uma vez, o primeiro-ministro entra numa total contradição, mente aos portugueses», acusou António Galamba, aconselhando o Governo a não se esquecer durante as comemorações dos desempregados e dos portugueses que estão em risco de pobreza.

«Infelizmente, os portugueses já sabem que em cada festa do Governo há sempre alguém que tem de apanhar as canas e os foguetes, que são os portugueses», ironizou.

Sobre a possibilidade de também o PS apresentar uma queixa na CNE, António Galamba reiterou que o partido entende que «a CNE tem todas as condições para poder intervir sem haver qualquer tipo de queixa».

«Não é necessário haver uma queixa. Há condições e há competência da CNE para poder intervir», enfatizou, lembrando que sobre matérias que têm que ver com iniciativas que os partidos políticos desenvolvem no âmbito da campanha, a CNE tem dado orientações concretas.

De qualquer forma, existindo já uma queixa, a CNE tem mesmo de intervir, acrescentou.