O cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP às eleições europeias, Paulo Rangel, alegou hoje que, globalmente, está a haver um alívio da austeridade, e não um agravamento, considerando que talvez haja uma perceção pública errada sobre esta matéria.

No final de um debate com outros candidatos às eleições para o Parlamento Europeu de 25 de maio, na Associação 25 de Abril, em Lisboa, questionado sobre a eventual fragilização da sua candidatura pelo anúncio de mais austeridade por parte do Governo, Paulo Rangel contrapôs: «Não penso que haja mais austeridade, há até um alívio da austeridade».

«Não penso que o Governo tenha anunciado nenhuma austeridade, pelo contrário, falou na reposição das pensões de reforma em grande parte, na reposição dos salários dos funcionários públicos», começou por referir Paulo Rangel. «Não quer dizer que não haja aqui ou ali um aumento residual de um imposto ou outro, mas isso, globalmente não significa mais austeridade. Portanto, aí talvez haja uma perceção pública errada», acrescentou.

Segundo o atual eurodeputado do PSD, «aquilo que está a haver é um alívio da austeridade, justamente provocado por um regresso de uma parte das pensões que tinham sido cortadas e por um regresso de uma fração dos vencimentos dos funcionários públicos».

«Portanto, é exatamente o contrário: o que está a haver é um alívio de austeridade e está a haver uma reposição de rendimentos, foi isso que foi anunciado no Documento de Estratégia Orçamental (DEO)», insistiu.

Presença da troika é culpa do PS

Mas o cabeça de lista da Aliança Portugal também atribuiu hoje às políticas socialistas a presença da troika em Portugal, enquanto o «número um» do PS culpou pela crise o «dogmatismo» financeiro da União Europeia.

Estas posições contraditórias foram assumidas logo na fase inicial de outro debate, entre Francisco Assis e Paulo Rangel, promovido pela Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e que tem a moderação do jornalista Paulo Ferreira.

Num anfiteatro que não se encontra totalmente cheio, a única salva de palmas até agora aconteceu quando o ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa se sentou na primeira fila para assistir ao debate.

Numa zona próxima do lugar de Marcelo Rebelo de Sousa, sentou-se o cabeça de lista do Movimento Partido da Terra, Marinho Pinto.

Na primeira intervenção, Paulo Rangel considerou que uma das questões em causa nas eleições do próximo dia 25 «é a presença da troika» (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia), ponto em que responsabilizou «as políticas socialistas» pelo resgate financeiro a Portugal.

Francisco Assis contrapôs que nas eleições europeias estão em confronto «dois projetos distintos, embora não totalmente antagónicos».

«A União Europeia seguiu por um caminho que tudo sacrificou ao dogmatismo orçamental. O PS é favorável a uma disciplina orçamental, mas são precisos instrumentos para o crescimento e o emprego», disse.