A primeira candidata do BE às europeias, Marisa Matias, defendeu domingo à noite o país esquecido, onde as desigualdades se acentuaram com a austeridade, considerando que os portugueses não são «apenas cofres» onde vêm buscar dinheiro para alimentar «amigos».

Marisa Matias regressou à terra-natal no domingo à noite, para um jantar-comício que encheu a Associação Cultural de Alcouce, naquele que foi o momento mais emotivo da campanha do BE às eleições europeias, onde a eurodeputada começou por recordar Miguel Portas e usou o exemplo da sua aldeia para falar de um país esquecido.

«Desde que aqui deixei de viver e a desde que a austeridade chegou para ficar nas nossas vidas, já não há memória nesta terra nem da escola pública, nem da extensão de saúde, nem dos transportes públicos, nem de muitas pessoas que aqui viveram e que daqui foram obrigadas a sair. (...) Aqui vive-se no Portugal escondido essa memória de forma mais vincada do que naquele que aparece todos os dias», disse.

Na opinião da eurodeputada recandidata, os portugueses não são «apenas cofres onde o Governo e as instituições europeias vêm buscar dinheiro de cada vez que querem alimentar os seus amigos».

«Somos gente com dignidade. Se pagamos impostos, temos que vê-los redistribuídos», defendeu.

Para Marisa Matias, em qualquer democracia «toda a gente deve ser tratada» com «honradez e não menos do que ninguém».

«Porque somos todos iguais. Somos todos iguais para pagar impostos, teremos que ser todos iguais nos serviços», justificou.

Em Alcouce, para além dos familiares e amigos da terra, estiveram presentes apoios de peso, como foi o caso do ex-deputado do BE José Manuel Pureza, que falou de «um país escondido, que não passa nas televisões, que não aparece nos jornais».

«E uma campanha como a do BE - para mais com a cabeça de lista que temos a honra de ter - tem a obrigação de trazer este país, esta sociedade, esta realidade que tantas vezes está escondida dos olhos do país, de trazer isto para o primeiro plano das nossas atenções», defendeu.

Segundo o dirigente do BE, o que o povo «magoado» diz ao partido nas ruas é que é preciso alguém «que não prometa para depois esquecer».

«Precisamos de alguém que não faça alianças para trocar a alma por conveniências», disse, numa crítica implícita ao PS.

Pureza disse ainda que Marisa Matias tem «o amor ao povo» que é necessário, considerando que este é o momento «de falar verdade e de lutar pela verdade».