O antigo presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa defende que vale a pena votar na coligação Aliança Portugal, a que chamou «AP», por ser a única que apoia Jean-Claude Juncker para presidente da Comissão Europeia.

Marcelo Rebelo de Sousa juntou-se à campanha da coligação PSD/CDS-PP num jantar comício, esta terça-feira, em Coimbra, e dedicou o seu discurso a apelar ao voto na candidatura de Jean-Claude Juncker, e referiu ser essa a «razão fundamental» por que tenciona votar na Aliança Portugal no domingo.

«É o homem indicado para ser primeiro-ministro da Europa, é ele que deve ser o escolhido. E há uma só lista que apoia Juncker, que é a lista desta aliança, liderada por Paulo Rangel e Nuno Melo. É a única lista que apoia este candidato a primeiro-ministro da Europa», declarou. «Vale a pena votar em Juncker no próximo dia 25, vale a pena votar na AP», acrescentou.

Por outro lado, o comentador político considerou que votar na coligação PSD/CDS-PP é dignificar o pensamento dos fundadores destes partidos Francisco Sá Carneiro «o primeiro líder partidário a defender a adesão de Portugal às comunidades europeias», Diogo Freitas do Amaral, Francisco Balsemão e Adelino Amaro da Costa, «que era defensor da moeda única para a Europa».

Ouviam-no, sentados na mesa em frente ao púlpito onde discursou, o social-democrata Paulo Rangel, cabeça de lista da Aliança Portugal, e o primeiro candidato indicado pelo CDS-PP, Nuno Melo, entre outros elementos da coligação.

Marcelo Rebelo de Sousa começou a sua intervenção com um «testemunho pessoal» do motivo pelo qual tenciona votar nesta aliança: «A razão fundamental é esta, que parece estranha, mas não é: pela primeira vez nós vamos poder votar escolhendo o presidente da Comissão Europeia».

Comparando esse cargo ao de «primeiro-ministro da Europa», o social-democrata sustentou que essa é a escolha «fundamental» que vai ser feita nestas eleições, e alegou que, dos vários candidatos, «só dois podem ganhar», o luxemburguês Jean-Claude Juncker, apoiado pelo Partido Popular Europeu, e o alemão Martin Schulz, apoiado pelo Partido Socialista Europeu.

«São os dois defensores da Europa, são os dois democratas, são os dois pela mudança. Mas eu prefiro, de longe, Juncker», afirmou, em seguida, o professor universitário de direito, que é apontado como possível candidato às presidenciais de 2016.

«Nós precisamos de ter à frente da Europa alguém com experiência de Governo, alguém que venha de um país que sabe o drama dos países pequenos e médios, alguém amigo de Portugal e dos portugueses», justificou.

O antigo presidente do PSD fez uma primeira referência a Paulo Rangel e a Nuno Melo, para observar que continuam «jovens», e outra para dizer que enquanto eurodeputados «mostraram os dois o que era conhecer os dossiês na Europa» e «lutar pelos interesses de Portugal no quadro da União Europeia».

De passagem, Marcelo Rebelo de Sousa falou também de uma certa desilusão com a União Europeia e da necessidade de a reformar e de a tornar mais justa e solidária, advogando: «Não é solução sair do euro ou afastarmo-nos da Europa».