Doroteia Verónica, com cerca de 15 anos, pintada de verde e castanho, levou hoje os candidatos da coligação PSD/CDS-PP Rangel e Nuno Melo num passeio pela Ria de Aveiro que começou no Cais da Fonte Nova.

Depois da passagem de uma chuva matinal, o moliceiro zarpou, com o senhor Alberto ao leme, e os candidatos da Aliança Portugal na proa, ansiosos pela partida: «Então, isto arranca ou não?», perguntava Paulo Rangel, que viu no tempo um bom prenúncio: «Eleição molhada, eleição abençoada».

Nuno Melo tocava a buzina com que os barcos assinalam a sua presença e dirigia farpas ao PS, apontando os coletes salva vidas: «Há quem diga que os socialistas estão a precisar».

A bordo, seguiam outros membros da comitiva da Aliança Portugal, jornalistas e ainda o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, o presidente da Câmara de Aveiro, José Ribau Esteves, o secretário-geral do CDS-PP, António Carlos Monteiro, e o deputado centrista Raul Almeida.

Enfeitada com uma bandeira nacional, Doroteia Verónica deu meia volta junto ao Cais da Fonte Nova, passando em frente a uma dúzia de apoiantes da coligação PSD/CDS-PP, e deslizou até ao antigo edifício da Capitania do Porto de Aveiro.

A viagem, que durou perto doze minutos, foi tranquila, mas Paulo Rangel não temia que o barco virasse: «O máximo que pode acontecer é ter de se nadar até terra».

UE deve acolher mais imigração de forma disciplinada

Mas Paulo Rangel também defendeu hoje que a União Europeia deve acolher mais imigração, de forma disciplinada, como uma das formas de combater o envelhecimento da sua população.

«A questão demográfica tem de se resolver de duas maneiras: acolhendo mais imigração, embora de uma forma disciplinada e de uma forma que permita às pessoas terem dignidade quando estão na Europa, e por outro lado promovendo a natalidade», declarou Paulo Rangel, durante um encontro com jovens da Escola Profissional de Aveiro, a quem pediu que se empenhem no projeto da União Europeia para «manter a paz» no continente europeu.

Ainda a respeito da demografia, o social-democrata referiu que é favor da afetação de fundos europeus a «um programa para apoio à natalidade» inspirado nos países nórdicos, mas considerou: «Uma coisa que é certa, não é só com a natalidade que nós vamos resolver o problema demográfica e, portanto, nós temos de ter claramente uma grande abertura às migrações e à imigração para a Europa».

«Temos de ter, de facto, políticas para acolher os imigrantes, para os integrar, porque, para que a população da Europa se rejuvenesça e para que a Europa possa ser um espaço de prosperidade, uma economia forte, nós precisamos de gente que venha dos quatro cantos do globo ajudar a construir este projeto», reforçou.

Antes, Paulo Rangel mencionou que, apesar de tudo, «a Europa continua a ser o continente que mais gente acolhe em termos de imigração» e sustentou que a União Europeia não tem «capacidade para acolher e integrar todos bem» e tem de rejeitar a entrada de algumas pessoas.

«Eu acho que nós temos de desenvolver uma política de imigração um pouco como têm os Estados Unidos, ou seja, vamos ter mesmo de ter regras em que as pessoas de países terceiros entram, são acolhidas, integradas, mas evidentemente outras terão de ser rejeitadas», disse.

No que respeita ao acolhimento dos imigrantes, manifestou-se crítico da atual situação, qualificando de "uma vergonha para os valores da Europa" o que se passa em Lampedusa ou em Malta.

Na sua intervenção inicial, Paulo Rangel fez uma exposição sobre a história da Europa e as suas sucessivas guerras e definiu a União Europeia como «um projeto de paz», que poupou gerações às «consequências devastadoras» da guerra.

«Este é o objetivo principal, esta é a missão principal da União Europeia», afirmou, pedindo aos jovens da assistência que «trabalhem na União Europeia para manter a paz, porque a paz nunca está garantida».