CDU e BE acusaram hoje o PS de ser um aliado permanente do PSD na política europeia e nacional, ideia contestada pelo socialista Francisco Assis, no primeiro debate a quatro entre cabeças de lista às eleições europeias.

A saída do euro defendida pelo comunista João Ferreira, que o social-democrata Paulo Rangel fez questão de contestar, foi outro tema que marcou o debate entre os cabeças de lista de PSD/CDS-PP, PS, CDU e BE às eleições europeias realizado hoje na Associação 25 de Abril, em Lisboa.

Na abertura deste debate, o presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, considerou que os eleitores devem mostrar um «cartão vermelho» ao Governo PSD/CDS-PP nas eleições para o Parlamento Europeu de 25 de maio, e depois apelou aos candidatos para que respeitem as promessas eleitorais.

No final, Paulo Rangel, que esteve sozinho num registo de «encorajamento e esperança», sustentando que Portugal vive «um momento de viragem da crise», sintetizou desta forma o que se passou: «Estivemos aqui a ver qual era a diferença entre o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda, entre o PCP, o Bloco de Esquerda e o PS. Basicamente foi isso».

Ao longo do debate, os cabeças de lista da CDU, João Ferreira, e do BE, Marisa Matias, reiteraram a oposição ao chamado tratado orçamental e insistiram na necessidade de uma reestruturação da dívida pública e acusaram ambos o PS de não se distinguir no fundamental do PSD.

Marisa Matias sugeriu que os socialistas se limitam a pedir uma «austeridade fofinha», que é impossível, enquanto João Ferreira desafiou PS e PSD a indicarem uma matéria que os tenha dividido no Parlamento Europeu.

Francisco Assis insurgiu-se com a ideia de «a esquerda democrática e a direita que atualmente governa o país são iguais», afirmando: «Não são. Basta fazer uma comparação com que o foi a ação e o que é a linha de orientação deste Governo com vários governos do PS para facilmente se constatar que não são. É que a esquerda às vezes é masoquista e gosta de cultivar essa ideia, e não é verdade».

Remetendo para depois das legislativas a decisão do PS sobre alianças de Governo, o deputado socialista sustentou que «há na verdade outro PSD» diferente do atual que, no seu entender, é o «mais extremista» e «mais à direita» da história da democracia e protagonizou uma «rutura» com «um certo consenso político e social», movido por um «pensamento neoliberal».

Outra questão levantada neste debate foram as diferenças entre CDU e BE, à qual João Ferreira respondeu assinalando a sua defesa da «recuperação da soberania monetária, orçamental e cambial» como a única solução para pôr fim aos desequilíbrios e assimetrias do país.

Enquanto os demais candidatos não falaram nesta questão, Paulo Rangel condenou a defesa da saída do euro e acusou o cabeça de lista da CDU de omitir o custo desta opção: «Que sacrifícios são que isso traria? Se todos já estão esgotados depois de três anos de austeridade e de sacrifícios, como é que ficariam se nós saíssemos do euro amanhã?».

«O que ia acontecer a Portugal e aos portugueses? Esta parte também tem de ser contada, não é só contar sonhos e belas palavras, é uma retórica muito bonita, mas essa é que é a questão», considerou.