A escola básica de Orjais, no concelho da Covilhã, foi hoje fechada a cadeado pela população para impedir que se vote para as eleições europeias, um boicote de protesto contra o anunciado encerramento daquele estabelecimento de ensino.

Na escola onde votam 768 eleitores, o portão foi fechado a cadeado e encontra-se guardado por cerca de três dezenas de populares, que contestam a possibilidade de aquele estabelecimento encerrar, obrigando à transferência das 15 crianças que ali estudam para uma outra escola em Teixoso, a sete quilómetros daquele local.

Cantando o «Grândola Vila Morena» e afirmando que «aqui ninguém passa, aqui ninguém vota», a população, com o apoio do presidente da junta de freguesia, encontra-se no local para impedir quem eventualmente queira votar, tendo já recusado a passagem de uma patrulha da GNR, que entretanto abandonou o local.

«Já estava à espera desta situação, porque as pessoas, desde que souberam da possibilidade de encerramento, estão preocupadas e revoltadas. Obviamente que estou solidário com este protesto porque não concordo com o encerramento da escola», disse à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Orjais, José Pinto.

Os pais mostram-se assustados com o facto de crianças com idades entre os seis e 9 anos terem que se deslocar para uma escola a 7 quilómetros, ficando sem apoio familiar perto.

Maria de Lurdes Lucas, com duas filhas, de sete e oito anos, a frequentar a escola salienta que as crianças são «demasiado pequenas» para irem para tão longe transportando o enorme peso das mochilas, sem se saber qual a qualidade dos transportes e da alimentação.

Ainda no concelho da Covilhã, em Vales do Rio, decorre outro protesto contra o encerramento da escola local, que levou a população a fechar a porta com cadeado e cola, impedindo a abertura das urnas à hora prevista e a constituição da mesa de voto.

Em Orondo, um protesto contra a agregação da freguesia tentou impedir que a votação se realizasse, mas a escola abriu e a mesa de voto foi constituída por apenas três elementos, o que já levou o porta-voz do movimento de protesto a anunciar que vai apresentar queixa.