Os eurodeputados Edite Estrela (PS), Marisa Matias (Bloco de Esquerda) e João Ferreira (PCP) foram esta quarta-feira unânimes, em Estrasburgo, em reclamar a convocação de eleições antecipadas em Portugal, considerando que o atual Governo está «mais que morto».

«Eu acho que estamos numa situação muito difícil, e é lamentável que os dois líderes dos partidos da coligação venham para a praça pública manifestar as suas divergências, o seu desentendimento, e não tenham tido a capacidade de dialogar. E, portanto, acho que este Governo está mais que morto e que é preciso que o Presidente da República tome uma atitude e convoque eleições», defendeu Edite Estrela.

A líder da delegação do PS ao Parlamento Europeu admitiu que «há uma grande perplexidade por parte de todas as pessoas», na assembleia europeia, com a atual crise política em Portugal, mesmo sendo já conhecidas divergências no seio da coligação.

«Não é que o Governo não desse sinais de degradação, mas é difícil compreender toda esta sucessão de acontecimentos, e a história está ainda muito mal contada», comentou.

Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, afirmou por seu lado que, «se dúvidas houvesse, estes últimos acontecimentos provaram» que não existiam «nem estabilidade, nem responsabilidade, nem competência», como o Governo queria fazer crer.

«Uma coisa ficou muito clara: houve a tentativa sistemática de dizer que Grécia era diferente de Portugal e Portugal diferente da Grécia, mas cada vez mais se percebe que estas receitas aplicadas, ainda por cima de forma incompetente, têm os mesmos resultados», acrescentou.

Já João Ferreira, do PCP, considerou que «isto é o esboroar definitivo de um Governo que era há já muito tempo um governo ilegítimo, que tinha já perdido a sua legitimidade, tinha perdido já quaisquer condições para continuar em funções, e agora perdeu até a estrutura».

O eurodeputado comunista sublinhou que «é importante agora que o país não permita o que seria uma degradação da situação política e institucional inaceitável que decorreria da não convocação de eleições», considerando «fundamental» que o Presidente da República aja nesse sentido, para o que reclamou mobilização popular.

«Só a luta social e a mobilização popular poderão conduzir a esse desfecho, da mesma forma que só a luta social e a mobilização popular conduziram ao isolamento político deste governo, que teve como consequência aquilo a que estamos a assistir», completou.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, fez uma declaração ao país na terça-feira à noite após a demissão do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que é também líder do CDS-PP, parceiro de coligação do PSD no Governo.

Pedro Passos Coelho frisou que não se demitiria do cargo de primeiro-ministro, manifestou-se surpreendido com o pedido de demissão de Portas, e adiantou que iria procurar com o CDS-PP garantir as condições de estabilidade do executivo.