O eurodeputado social-democrata Paulo Rangel admitiu esta terça-feira «soluções intermédias» para assegurar a sustentabilidade da dívida, desde que não afetem a credibilidade de Portugal, recusando a posição da socialista Elisa Ferreira, que defendeu um debate aberto sobre a renegociação.

Rangel, que falava num debate de eurodeputados portugueses em Bruxelas, afirmou «não excluir» a mutualização, mas que neste momento essa «não é praticável», dada a provável rejeição pelo Constitucional da Alemanha.

«Há soluções intermédias. Neste momento, um trabalho de criação de condições de confiança, um diálogo permanente, para que mais tarde os nossos parceiros possam aceitar», disse o cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP às europeias de 25 de maio, apontando «medidas soft» como a renegociação de prazos.

«Um haircut é que não», afirmou o eurodeputado, referindo-se ao perdão de dívida defendida por outros partidos.

Elisa Ferreira defendeu por seu lado a necessidade de um debate aberto, desde já, sobre as possibilidades de uma renegociação. «Eurobonds, eurobills, fundo de redenção, tudo tem de ser discutido», disse.

«Politicamente, é muito importante pressionar a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu para uma mutualização», acrescentou, sublinhando que a dívida portuguesa está nesta altura nos 129% do PIB, bem acima dos cerca de 100% na altura do pedido de resgate.

A eurodeputada socialista rejeitou também a ideia de um perdão da dívida, pelo provável efeito de desestabilização que teria, dado que «mais de um terço da dívida portuguesa está nas mãos de instituições internacionais».

A renegociação imediata da dívida foi defendida no debate pelos eurodeputados Marisa Matias, número um da lista do Bloco de Esquerda, João Ferreira, cabeça de lista da CDU, e Rui Tavares, um dos fundadores do novo partido Livre e que disputa atualmente primárias internas que vão decidir o seu lugar na lista.

«Mais cedo ou mais tarde alguma reestruturação vai ter de ser feita, porque a dívida não é sustentável», afirmou Marisa Matias, que defende a realização de um referendo ao Tratado Orçamental.