O cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP às eleições europeias, Paulo Rangel, considerou esta segunda-feira que a candidatura socialista encabeçada por Francisco Assis representa «um regresso ao despesismo» descontrolado, que levaria o país «novamente à bancarrota».

«Estou preocupado com este tipo de declarações populistas que o PS está a fazer, mas não tanto pelas acusações pessoais, o que me preocupa no discurso socialista é o retorno ao passado e de reabilitar a governação de José Sócrates. Temos de deixar para os portugueses uma ideia muito clara, se nos preocupamos com o futuro e com o presente não podemos voltar ao passado», afirmou Paulo Rangel.

O eurodeputado falava aos jornalistas portugueses à margem de um almoço com os cabeças de lista do PPE às eleições europeias, no Parlamento Europeu, depois de questionado sobre as críticas que lhe foram dirigidas no domingo por Francisco Assis.

Numa ação de campanha em Leiria, o cabeça de lista socialista às eleições europeias, Francisco Assis, acusou Rangel de se limitar a atacar o PS e de não trazer uma ideia ao debate político.

Em resposta, Paulo Rangel disse rejeitar «o pingue-pongue político de frases feitas» e advertiu novamente para o que disse ser «um verdadeiro programa de despesismo, de regresso ao socratismo». «Falou-se claramente na ideia de que é preciso reforçar o investimento público, portanto, vamos regressar ao TGV, ao aeroporto, à terceira autoestrada, isto significa que os portugueses vão ter de passar por tudo o que já passaram. Temos consciência de que este programa foi muito duro e precisamente porque foi muito duro nós não queremos repeti-lo», disse.

Para o cabeça de lista da coligação Aliança Portugal, o PS quer colocar Portugal «outra vez em 2009, 2010 e 2011», com «o despesismo que trouxe à bancarrota».

Questionado sobre como alcançar crescimento e emprego sem investimento, Rangel defendeu que é preciso «responsabilidade orçamental», mas com «investimento de vário tipo, investimento privado, com fundos comunitários e naturalmente algum investimento público que seja possível».

No entanto, assinalou, «Portugal fez despesas em obras públicas brutais entre 2000 e 2011, designadamente nos governos de Guterres e de Sócrates», e considerou que o país só cresce «com contas públicas sólidas, investimento privado e fundos europeus orientados para o apoio às pequenas e médias empresas exportadoras e não para os elefantes brancos».

A apresentação dos candidatos da coligação Aliança Portugal às eleições europeias de 25 de maio está marcada para domingo, na Curia, com a presença dos presidentes do PSD e do CDS-PP, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, respetivamente, e intervenções públicas de Paulo Rangel e Nuno Melo.