O PS considerou esta terça-feira que os anunciados novos cortes de mil milhões de euros na despesa dos ministérios são resultado de «absoluta incompetência» ao fim de três anos de Governo ou constituem novos cortes no Estado social.

A questão foi deixada por Eurico Brilhante Dias, membro do Secretariado Nacional do PS, em conferência de imprensa, depois de a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, ter anunciado uma redução da despesa na ordem de 1,4 mil milhões de euros em 2015, sem penalizar salários da administração pública ou pensões.

Na perspetiva do dirigente socialista, suscita sérias dúvidas a fatia dos cortes anunciada por Maria Luís Albuquerque em consumos intermédios ou despesas de funcionamento dos ministérios, sendo mesmo mais um caso «de ausência de transparência».

«O Governo disse que vai cortar 730 milhões de euros em consumos dos ministérios, mais 320 milhões em pareceres, consultoria, entre outras atividades. Ou seja, mais de mil milhões de euros que o Governo diz que vai cortar em 2015 nos ministérios», começou por apontar Eurico Brilhante Dias, antes de lançar um conjunto de questões.

«Então o Governo primeiro cortou os salários, as pensões, aumentou os impostos e agora é que vai cortar nos ministérios e nas despesas de consultoria? Primeiro o Governo aumenta a contribuição extraordinária de solidariedade (CES) e depois é que corta nos ministérios?», perguntou o dirigente socialista.

Para Eurico Brilhante Dias, «ninguém com o mínimo de bom senso» pode considerar «minimamente razoável» este processo seguido pelo Governo desde julho de 2011 em matéria de consolidação orçamental, sendo mesmo algo «politicamente inqualificável».

«A não ser que, uma vez mais, estes consumos intermédios e estes cortes nos ministérios sejam outra coisa que o Governo não nos disse hoje. Temos de ser muito vigilantes com este Governo, porque em muitas ocasiões falta com a sua palavra», acusou o membro do Secretariado Nacional do PS

De acordo com Eurico Brilhante Dias, não se percebe como primeiro se corte em salários da administração pública e em pensões, se aumente o IRS e, ao fim de três anos, já em 2014, se apresentem então de diminuições de gastos com consumos e com consultorias.

«Mas o que estes senhores estiveram a fazer no Governo ao longo de três anos? Se hoje nos apresentam mil milhões de cortes [em consumos intermédios], então por que razão isso não foi feito antes, tendo obviado aos cortes nos rendimentos dos portugueses?», questionou ainda o membro da direção do PS.

Neste ponto, Eurico Brilhante Dias afirmou-se surpreendido por o Governo dizer agora, ao fim de três anos, que ainda dispõe de cerca de mil milhões de euros para cortar em consumos nos ministérios e em trabalho externos, apesar de não especificar esses cortes.

«Das duas uma: Ou foi absoluta incompetência, porque o Governo cortou primeiro nas pensões e nos salários, aumentou os impostos e só depois, agora, corta os consumos; ou então, não querendo acreditar que a incompetência tenha sido tanta, estes 730 milhões de euros são mais cortes na saúde, nas prestações sociais e com despedimento de professores. Provavelmente é isso que vai acontecer», referiu o dirigente socialista.

Por sua vez, oBE acusa Governo de «retórica eleitoral» enquanto o PCP condena os cortes adicionais.