O PSD afirmou que há setores portugueses sem responsabilidades de Estado que, «pela sombra ou pela calada», estão a tentar estragar as relações entre Portugal e Angola, tentando importar questões para a política nacional.

Estas críticas foram feitas em conferência de imprensa pelo vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD António Rodrigues, que, no entanto, apesar da insistência dos jornalistas, nunca identificou com precisão os comentadores que estarão a colocar em causa as relações entre os dois países.

«É importante perguntar quem neste momento tem interesse em estragar as relações entre Angola e Portugal, nomeadamente fazendo afirmações que não correspondem à verdade, ou que podem pôr em causa relações que são normais entre dois Estados soberanos. Dois Estados que têm relações normalizadas há muitos anos e que cooperam normalmente nos últimos tempos», disse.

Interrogado sobre quem está interessado em desestabilizar as relações entre Portugal e Angola, o dirigente da bancada social-democrata apontou «aqueles que porventura querem fazer da política externa problemas de política interna, revertendo estas situações para a política nacional, quando nada tem a ver com política nacional».

«Há quem pretenda internalizar as relações entre os dois Estados, o que não tem razão de ser», lamentou António Rodrigues, negando em absoluto estar a referir-se à polémica em torno das declarações proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, à Rádio Nacional de Angola.

Segundo António Rodrigues, há setores em Portugal que, «pela sombra ou pela calada», referem-se à situação das relações entre os dois países «sem terem qualquer tipo de razão para o fazer em termos de Estado».

«É óbvio que não pomos em causa opiniões, ninguém pode pôr em causa aquilo que se diz e que se escreve, mas o que estão em causa são razões de Estado - e essas devem manter-se ao nível do Estado e não dos interesses pessoais», respondeu o vice-presidente do Grupo Parlamentar do PSD.

Perante a insistência dos jornalistas para identificar quem está a colocar em causa as relações entre Portugal e Angola, o vice-presidente da bancada social-democrata disse que «basta ver quem faz comentários ou quem está sistematicamente a referenciar estas questões publicamente». «São pessoas que neste momento não têm ou atividade política ou não têm sequer responsabilidades de Estado».

Já sobre os artigos publicados no Jornal de Angola contra a elite política portuguesa, António Rodrigues interpretou-os da seguinte forma: «A liberdade de expressão é de cada um dos Estados. Assim como qualquer jornalista ou comentador em Portugal pode dizer o que entender, nós também admitimos que no regime angolano qualquer pessoa possa exprimir as suas opiniões».

Para o PSD, segundo António Rodrigues, «é importante normalizar as relações com o Estado angolano e, principalmente, é importante não esquecer os 100 mil portugueses que se encontram em Angola e os milhares de empresas que neste momento colaboram nesse país, bem como a colaboração que Angola tem com Portugal e as relações comerciais que se estabelecem no presente entre os dois Estados».

Ainda de acordo com o dirigente social-democrata, no quadro da «normalização das relações» entre Portugal e Angola, «é importante que a cimeira que estava prevista se venha a realizar».

O dirigente do PSD negou que o Estado angolano queira interferir na vida jurisdicional portuguesa e referiu que José Eduardo dos Santos sentiu necessidade de aludir «a uma situação que é legítima, naturalmente, e a que nós nos compete ouvir».

«Mas, neste caso, a nós também nos compete tentar demonstrar que não corresponde à verdade qualquer dificuldade que exista com o Estado angolano», acrescentou.