O cabeça de lista da Coligação Democrática Unitária (CDU) ao Parlamento Europeu, João Ferreira, pediu a «eleição de mais deputados» e defendeu que Portugal deve, «desde já», começar a preparar-se para um eventual abandono da moeda única.

«O futuro do país é inviável dentro do euro. Não devíamos ter entrado, mas também sabemos que a saída, hoje, não nos leva ao ponto de partida e muito menos ao ponto em que estaríamos se não tivéssemos entrado. Daí a importância da adoção de medidas que preparem o país, desde já, face a qualquer reconfiguração da zona euro», afirmou, na cerimónia de lançamento da candidatura, em Lisboa.

O atual eurodeputado referiu que a «preparação deve ser feita não apenas em face de possíveis desenvolvimentos na crise da União Europeia, mas também em nome de uma saída de Portugal do euro por decisão e interesse próprios».

«Uma resposta que encontra na CDU, no seu esforço e na eleição de mais deputados, a mais sólida garantia de rejeição deste caminho e de afirmação de um rumo alternativo», continuou o também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.

A CDU, que congrega PCP, «Os Verdes» (PEV) e Intervenção Democrática (ID), elegeu Ilda Figueiredo, entretanto substituída por Inês Zuber, e João Ferreira em 2009, com uma votação de 10,6%, pouco abaixo do BE (10,7%), sendo a quarta força política portuguesa mais presente em Bruxelas.

«Tínhamos e tivemos razão! Mais do que nunca, a força da verdade confronta as mentiras dos que, ontem como hoje, querem atrelar Portugal à dependência e subordinação», disse, criticando a postura «subserviente» de PSD, PS e CDS-PP.

João Ferreira pediu apoio a «uma luta que convoca todos os que não estão dispostos a que a torrente de indignação e revolta que percorre o país desague num mar de resignação e desanimo, os que sabem que é possível transformar essa indignação e revolta em futuro».

«Somos os únicos que partimos para estas eleições sem gaguejar. Hoje, já ninguém ousa falar do paraíso europeu. Os partidos subservientes à Europa - PSD, PS e CDS -, enrolar-se-ão em palavras, não sabem dizer outra coisa que não ao vosso dispor. Embrulhar-se-ão entre ambições ideológicas e a dura realidade que vivemos no nosso país», afirmou a deputada ecologista Heloísa Apolónia.

A parlamentar do PEV garantiu que «a CDU repudia jogos de interesse, é a voz da denúncia e a mão da alternativa», adiantando que as eleições de 25 de maio próximo são uma «oportunidade de ouro para penalizar e deixar um recado sério ao Governo e à União Europeia, que também faz parte da troika».

João Vicente, da direção executiva da ID, condenou a «subserviência canina de sucessivos governos (portugueses), que serve Estados mais poderosos e o bando de especuladores financeiros».

«É uma escolha previsível, justa e, por certo, vantajosa, capaz de nos conduzir a novos segmentos de eleitorado», apreciou, referindo-se ao candidato da CDU.